Vamos falar sobre consumismo de livros?

Acho que é muito comum, entre nós, leitores, que tenhamos uma lista infinita de livros que queremos ler. A lista só cresce, não dá para negar. Acredito que, assim como eu, a maioria de vocês também gostaria de poder comprar todos esses livros desejados. Porém, sabe-se que  nunca conseguiremos ler tantos livros em uma única vida. Esse é o maior dilema da vida de um leitor! Para tanto, eu creio em uma pseudosolução para esse problema: analisar quais os livros realmente queremos ler e investir aí. Acho que é interessante, inclusive se usamos aplicativos como Skoob ou anotamos em cadernos, que de tempos em tempos a lista de livros desejados seja revista. Já aconteceu de eu querer muito um livro -porque estava na "moda" ou porque me pareceu interessante naquele determinado momento da minha vida- e depois de um tempo eu olhar para esse mesmo livro na minha estante do Skoob e pensar "porque ele está aqui?". Por outro lado, há livros que eu desejo há muito tempo e que sei que gostarei muito da leitura. É o caso de O sol é para todos, Laranja mecânica, Madame Bovary, O diário de Anne Frank, entre outros, que são livros que, além de serem clássicos consagrados pela crítica e pelos leitores, eu sei que fazem o meu perfil de leitora.
Já reparam na beleza que possuem os livros usados?

Pensando nisso, eu resolvi, também, fazer uma avaliação do meu acervo de livros, e percebi que tenho alguns livros que não condizem com os meus gostos literários. Talvez isso já tenha acontecido com vocês. Diante de uma pequena análise, separei alguns livros que li apenas uma vez e não pretendo reler, ou que li e não gostei (estou pensando em doá-los para alguma biblioteca) e com isso, abri mais espaço na estante. Fazendo esse movimento, eu pensei em algumas questões que estavam por trás daquele meu pequeno gesto. Por exemplo, o fato de eu não estar me desfazendo desses livros, mas sim, dando a outra pessoa a oportunidade de lê-los.  Pensei, também, que ao invés de a pessoa comprar um livro novo, ela estaria emprestando um livro que, apesar de usado, estaria possibilitando a mesma experiência de leitura que um livro novo. A gente acaba não percebendo a questão da sustentabilidade que está por trás disso -ou a falta de sustentabilidade- que envolve comprar livros e livros (de papel, não vou entrar na discussão dos e-books aqui) sem o menor critério e ir acumulando na estante. Refletindo essas questões, lembrei de alguns relatos de amigos e conhecidos que, muitas vezes, compram livros porque estão na promoção (Bienal esteve aí e como o pessoal gastou em livros, hein) ou têm mais de uma edição do mesmo livro em casa, ou pior, há quem jogue livros no lixo. SIM! Não quero julgar ninguém, longe disso, até porque sou uma pessoa que sonha ter uma biblioteca particular com títulos incríveis e edições bonitas. Mas nem por isso, por eu querer ter uma estante cheia de livros lidos, é que eu vou sair por aí comprando sem critérios.
Para concluir esse texto, resolvi relatar duas experiências que tive em compras de livros usados. Uma delas é o site já muito conhecido Estante Virtual. Eu sempre costumava comprar em lojas online, como o Submarino, a Saraiva, mas nunca tinha pensado em comprar na Estante Virtual. Até que surgiu a necessidade de comprar um livro teórico que estava esgotado em todos os sites, então, recorri ao Estante por recomendação e concluí a compra. A experiência foi das melhores possíveis: a entrega foi muito rápida, o livro, que era descrito como seminovo, me pareceu ser novo, sério mesmo, até pensei que eles podem ter se confundido e mandado um novo no lugar do que eu solicitei. Em suma, sei que não posso julgar um serviço por apenas uma compra, mas a eficácia desse primeiro e a economia que fiz ne$$a compra, com certeza me fizeram ter vontade de comprar mais livros no site Estante Virtual.
Outra experiência que possuo em comprar livros usados é por meio de uma livreira/garimpeira do Rio Grande do Sul que vende livros no Instagram, a Carol do @vontaderia. Já comprei alguns livros com ela e posso falar com mais autoridade nesse caso. A Carol foca em encontrar para seus clientes livros raros ou difíceis de encontrar nas livrarias, com preços justos e os livros sempre em estado muito bom (para mim o livro não sendo manchado ou rasgado é ótimo, só para poderem entender). Além de tudo isso, tem o contato humano, a Carol é uma fofa e eu recomendo fortemente o serviço dela.

Os três livros que comprei da Carol: Entrevista com o vampiro da Anne Rice, Lugar nenhum do Neil Gaiman e O apanhador no campo de centeio do J.D.Salinger. Todas em bom estado e a Carol é muito dedicada ao atender a gente <3
Pequenos detalhes que, para mim, não fazem a diferença. <3


Eu não me importo de o livro ter dobras ou as páginas amareladas, de jeito nenhum. Mas se você gosta de livros novos, é uma escolha sua e que não cabe a mim julgar, porém, gostaria um pouco que refletíssemos: o que é mais importante, o livro (objeto) ou a história que ele nos conta? Conhecem alguém que tenha preconceito com livros usados? Será que realmente precisamos acumular tantos livros se, às vezes, nem vamos revisitá-los? Fica a reflexão.

Beijinhos, Hel.

Garotas de vestido branco - Jennifer Close

"Todas sabiam que deviam se sentir diferentes naquela vida nova, mas sentiam-se as mesmas de sempre e isso as deixava no limite." (p. 37)


Quando escolhi este livro para ler, esperava dele muitas coisas. Não posso dizer que o livro não cumpriu o que promete, mas também não posso dizer que terminei a leitura apaixonada pela narrativa e pela escrita de Jennifer Close. A verdade é que o enredo de Garotas de vestido branco me chamou a atenção pelo fato de abordar temas que eu tenho vivenciado nos últimos anos: a escolha da profissão, morar sozinha, amizades que vem e que vão, começos e términos de namoro...
Quem nunca teve dúvidas sobre a faculdade que escolheria? Quem nunca soube que aquele crush era o cara errado, mas mesmo assim continuou insistindo? Quem nunca passou por dificuldades financeiras no início da vida adulta? Acho que uma hora ou outra passaremos por algumas dessas situações em nossas vidas.

Lauren, Isabella e Mary são as protagonistas da estória. O leitor acompanha a vida delas desde a faculdade até os trinta anos, mais ou menos. Não há um enredo fixo, só a vida delas que se desenrola. Percebi que há um foco maior em Isabella, pois a narrativa começa e termina com capítulos sobre ela. A narração é em 3ª pessoa, diga-se de passagem.

"Isabella fazia um pedido para JonBenét sempre que jogava moedas em algum chafariz, quando soprava cílios e quando o relógio mostrava 11h11. Pedia que ela estivesse casada. Pedia que tivesse um casamento lindo. Pedia que fosse feliz." (p. 61)

Um dos arcos da estória é a vida amorosa das personagens. Na verdade, o foco do livro todo é a vida amorosa. Em alguns poucos momentos nos deparamos com questões que fogem desse tema, que é o caso da vida profissional de Lauren, que não vai nada bem ou da Abby que tem vergonha do modo de vida dos pais hippies. Mas, no geral, temos um bando de mulheres preocupadas com o fato de as amigas estarem casando e elas não, odiando tudo o que envolve casamentos, chás de panelas e bebês, no que parece ser o mais puro recalque.
Vocês podem estar achando que eu odiei o livro diante do que expus até aqui. O que acontece é que esse livro me deixou desconcertada, pois, por mais que eu tenha terminado a leitura sem sentir nada em relação às personagens, não posso negar que tudo que li é muito verdadeiro. Me identifiquei com muitos dos acontecimentos da vida delas: os chás de panelas chatos e constrangedores, os encontros com caras que, à primeira vista pareciam príncipes, mas que depois de alguns drinques ou alguns encontros embaraçosos se mostram verdadeiros babacas, a dúvida se a profissão que escolheu é a certa, se a pessoa com quem estamos é a que passaremos o resto de nossas vidas ou se realmente somos valorizadas em nossos empregos.

"Nova York fazia Abby feliz. E achava que isso acontecia porque ela não era nem de longe a pessoa mais estranha ali. Cada dia que passava na cidade a fazia relaxar um pouco mais, e logo ela parou de olhar em volta e se perguntar o que as pessoas achavam dela. Saía do apartamento sem se olhar no espelho cem vezes, e, quando tropeçava na rua, nem ficava constrangida." (p. 68)

Enfim, este é um livro sobre mulheres para mulheres. Um enredo que já deve ter sido abordado em muitos filmes ou séries da mesma forma superficial com a qual foi abordada aqui. Ou seja, nenhuma novidade. 
Apesar dos pesares, achei a edição muito bonita, a capa e tudo o mais. Falando em edição, não posso deixar de comentar os erros de revisão, só eu contei oito. OITO. Além disso, as muitas personagens me deixaram confusa, pois por mais que tenhamos o foco em três, muitas outras vão sendo adicionadas ao longo do livro e também ganham capítulos de ponto de vista. Chegou a um ponto em que eu não sabia quem era a personagem em questão. Muito confuso.

Apesar disso tudo, eu recomendo esse livro para quem gosta de romances do tipo chick-lit, na verdade não sei se nesse caso se encaixa nessa categoria já que a atmosfera do livro é um pouco pesada, sempre imaginei que chick-lits seriam mais "bobinhos", divertidos, e esse livro em questão se mostrou bem sério em alguns momentos. Desculpem minha ignorância em relação aos novos gêneros literários, em algum momento da minha vida eu me engalhei nos clássicos e não consigo mais me desvencilhar.

"Não foi para isso que Lauren fez faculdade. Não era onde deveria estar. Aqueles não eram o tipo de pessoas que devia ter por perto." (p. 112)

Um último comentário que quero fazer, e que acredito ser importante, é o fato de Garotas de vestido branco ser a "estreia literária" da autora, como diz o comentário da capa desta edição. Criei bastante expectativa ao ler esse comentário e, principalmente, depois de ler a orelha do livro e me deparar com o fato de a autora ser Mestre em escrita criativa, uau! Mesmo tendo achado que o livro não está nem perto de ser uma "perfeita estreia literária", acho que ela tem talento pro ramo, sim, só precisa melhorar um pouco o enredo, já que as personagens, a meu ver, são bem construídas, por mais que eu não tenha morrido de amores por elas.

Beijinhos, Hel.

CLOSE, Jennifer. Garotas de vestido branco. (Tradução de Camila Mello). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2016. 280 p.