O duque e eu - Julia Quinn

É uma verdade universalmente conhecida que toda fã de Jane Austen lamenta a autora ter escrito tão poucas obras em sua vida. É o meu caso. Sinto que "economizo" na leitura dos livros da Jane Austen, pois estou a dois romances de terminar as obras dela. Jane Austen foi a escritora que me apresentou ao mundo dos romances de época, dos vestidos esvoaçantes, diálogos cheios de ironias e indiretas e dos bailes. Meu primeiro crush literário foi Mr. Darcy. E Jane Austen escreve TÃO BEM! Pois bem, deixemos de enrolação, por que estou falando tudo isso? Porque a autora de O duque e eu, Julia Quinn, foi apontada como "a nova Jane Austen". Como eu poderia passar incólume por uma coisa dessas? É claro que fiquei curiosíssima.

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Apesar de essa série se chamar Os Bridgertons, pode-se dizer que o personagem principal de O duque e eu é Simon Basset, o duque de Hastings. Ele foi uma criança renegada pelo pai por aprender a falar muito tardiamente e por sofrer de gagueira, e nunca superou tal fato. O pai o humilhou e chegou a dizer que o filho havia morrido (!), o que fez com que Simon tivesse a determinação suficiente para passar por cima de suas dificuldades de fala. Simon odiava o pai com todas forças.

"Se não podia ser o filho que o pai queria, então seria exatamente o oposto." (QUINN, p. 15)

Depois de 6 anos viajando o mundo com o dinheiro do pai que ele tanto odiava (irônico, não?) ele volta a Londres e, assim como quando Mr. Bingley chega à Meryton, em Orgulho&Preconceito, todas as mães ficam alvoroçadas com a possibilidade de casarem suas filhas solteiras com um homem de posses como o duque de Hastings. O que Simon mais temia era isso, pois ele tinha o firme propósito de nunca se casar, entre outras coisas, somente para desagradar o pai, mesmo ele já tendo falecido. É então que ele conhece Daphne Bridgerton, irmã de seu melhor amigo, Antony Bridgerton. Depois de um primeiro encontro inusitado, eles decidem se afastar. Ela porque não queria ser vista ao lado de um homem libertino como Simon, e ele para respeitar a irmã do melhor amigo.



Daphne Bridgerton é uma moça um pouco à frente de seu tempo, que quer se casar por amor (e todo aquele papinho que já ouvimos em Orgulho&Preconceito, diria que ela é uma cópia bem barata da Lizzie Bennet). O problema é que a mãe dela, a Viscondessa Violet, está desesperada para casá-la, pois, assim como em Orgulho&Preconceito (nossa isso tá ficando cansativo) Daphne tem irmãs mais novas solteiras e precisa se casar o quanto antes. O problema é que os homens só a enxergam como amiga, e os que têm interesse por ela são muito velhos, ou muito novos, ou sem-noção.

Depois de alguns encontros, Simon e Daphne têm o plano mais mirabolante: Simon finge fazer a corte a Daphne, assim, ela passa a chamar a atenção dos homens e ele evita as mães e pretendentes nos bailes. AÍ EU PERGUNTO PRA VOCÊS: TEM COMO ISSO DAR CERTO? Até parece que eles não iam se apaixonar nessa historinha de finge que me paquera, eu finjo que gosto, blábláblá. Tem que ser muito burro pra não adivinhar qual vai ser o final da história, porque seguir essa fórmula de filme da sessão da tarde já tá muito manjado!

"Os dois haviam se tornado excelentes companhias um para o outro, e em seus encontros eles se alternavam entre confortáveis períodos de silêncio e diálogos animados. Em todas as festas, dançavam juntos duas vezes - o máximo permitido para não escandalizar a sociedade." (QUINN, p. 127-128)

Bom, se tem algo de original e divertido nessa história toda, eu diria que é a Lady Whistledown, a colunista de fofocas que parece ter espiões dentro das casas das famílias e que está viciando a todos com as suas revelações bombásticas e comprometedoras sobre a sociedade londrina. 

O que falar do livro sem dar muitos spoilers? Posso falar que Simon é bobo e tem o motivo mais besta do mundo para não querer se casar. Daphne tem seus poréns, mas, ainda assim, gostei dela, ela segue seus propósitos e é bem decidida. Obviamente que os protagonistas dessa história não tem 1% da profundidade dos coadjuvantes dos livro da Jane Austen (fui um pouco má, agora), mas posso dizer que foi uma leitura divertida em alguns momentos, apesar de no final tudo ter ficado muito forçado e as cenas de sexo dominarem boa parte da narrativa. Parecia que a autora resolvia tudo com sexo. Daphne ofendia Simon? Resolver na cama é a solução! Simon abandona Daphne no meio de uma briga? Fazem as pazes na cama! Sem comentários. Sobre as descrições das cenas calientes, diga-se que a linguagem é aquela clichê usada nos romances de banca, muito adjetivada e com orgasmos pra todos os lados. Só digo isso. Tirem suas conclusões a partir daí.

Por fim, se eu fosse a Jane Austen estaria me revirando no túmulo por ser comparada com Julia Quinn. Nada contra quem gostou e leu a série, mas quem está acostumada a ler romances de época como os das irmãs Brontë ou da própria Jane Austen sabe que há um refinamento na narrativa, preciosidades nas entrelinhas e personagens muito mais verossímeis à época em que os romances se passam. As reviravoltas são muito mais intrigantes e cada personagem é tão bem escrito que desenvolvemos sentimentos em relação a eles. Nem sempre sentimentos positivos (eu ouvi Heathcliff?), mas isso é porque essas autoras conseguem dar muita verdade aos personagens que escrevem.

Bom, encerro aqui meu comentário sobre essa leitura. E vocês já leram esses romances de época que são contemporâneos? Acham o que dessas histórias? Me contem nos comentários.

Beijinhos, Hel.

QUINN, Julia. O duque e eu. (Tradução de Cássia Zanon). São Paulo: Arqueiro, 2013. 288 p.

O guia do mochileiro das galáxias - Douglas Adams

“O espaço é grande. Grande, mesmo. Não dá pra acreditar o quanto ele é desmesuradamente inconcebivelmente estonteantemente grande. Você pode achar que da sua casa até a farmácia é longe, mas isso não é nada em comparação com o espaço.” (Trecho de O guia do mochileiro das galáxias, p. 63).

Foto: arquivo pessoal.
O guia do mochileiro das galáxias é o “volume um da trilogia de cinco” - sim, você leu corretamente, é uma trilogia de cinco! -  de livros escritos por Douglas Adams, escritor britânico.

Qual o sentido da vida? Quem somos? Para onde vamos? Quem nunca se questionou sobre isso que jogue a primeira pedra.
Em O guia do mochileiro das galáxias, conhecemos Arthur Dent, um terráqueo que está prestes a ter sua casa demolida para que em seu lugar seja construído um desvio, em seguida, conhecemos Ford Prefect, um alienígena de um planeta próximo a Betelgeuse que veio visitar a Terra para fazer pesquisa de campo para seu livro, O Guia do Mochileiro das Galáxias, mas que acabou ilhado no planeta por 15 anos, e teve que se disfarçar de ator desempregado. Os dois são amigos, e Arthur nem desconfia da origem de Ford, que precisa contar ao amigo que a Terra está prestes a ser destruída, para em seu lugar ser construído... Um desvio! Que coincidência, não?
A estória já se inicia no dia fatídico em que a Terra é destruída, e Ford e Arthur conseguem escapar da tragédia ganhando uma carona dos cozinheiros da nave dos Vogons, povo alienígena responsável pela destruição do planeta. A partir de então, Arthur começa a descobrir toda a verdade que o cercava acerca do universo e que ele não conseguia enxergar: a verdade sobre os golfinhos, sobre os ratos e sobre a própria Terra. Arthur conhece novos planetas, nomes impronunciáveis, criaturas inconcebíveis e até A RESPOSTA PARA  A VIDA O UNIVERSO E TUDO MAIS: 42!!!

“Como é sabido, a vida apresenta uma série de problemas, dos quais os mais importantes são, entre outros, Por que as pessoas nascem? Por que elas morem? Por que elas passam uma parte tão grande do tempo entre o nascimento e morte usando relógios digitais?” (ADAMS, 2010, p. 122).

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Inteligente, irônico, engraçado e sem-noção, O guia do mochileiro das galáxias é uma ficção científica que, apesar de parecer boba e despretensiosa para o leitor mais desatento, é na verdade muito perspicaz e cheia de críticas ao comportamento do ser humano em relação a diversos aspectos da nossa existência. Uma das críticas mais sensacionais é o pouco que sabemos e buscamos saber sobre o universo. A leitura d´O guia do mochileiro das galáxias torna-se uma experiência divertida e ao mesmo tempo libertadora que faz com que o leitor saia da sua caixinha e possa imaginar a infinidade de possibilidades que existem além do nosso planeta.
A estória pode parecer um pouco confusa, de início, já que o leitor pode se deparar com termos da física que, para mim, que não entendo bulhufas dessa ciência, pode complicar um pouco a leitura, mas só um pouco! Os personagens, também, são maravilhosos e divertidíssimos, o meu preferido é Marvin, o Androide Paranoide, que foi projetado com a tecnologia de Personalidade Humana Genuína (PHG), o que faz com que ele seja extremamente depressivo. Embora seja muito inteligente, os seus companheiros o incumbem de tarefas simples que exigem pouco do seu vastíssimo QI, situação que me fez pensar nas pessoas que possuem habilidades magnificas e que não são aproveitadas nas empresas onde trabalham, por exemplo.
Outro personagem que me fez dar boas gargalhadas foi Zaphod Beeblebrox que, apesar de ser o presidente do Governo Imperial Galáctico, não possui poder nenhum sobre a galáxia, o que pode ser comparado com alguns políticos que servem apenas de marionete para "financiadores" do poder.
Como percebido, um livro publicado há tantos anos ainda se conserva atual e atemporal em suas críticas. A narrativa é extremamente fluída, o que torna a leitura rápida. Com certeza continuarei lendo essa série, que comprei para meu noivo, mas que acabei me apaixonando.

Gostam de ficção-científica? Já conhecem essa série de livros? Vamos trocar figurinhas nos comentários ;)?

Beijinhos, Hel.


ADAMS, Douglas. O guia do mochileiro das galáxias. Ed. Popular, São Paulo: Arqueiro. 156 p. Tradução de Carlos Irineu da Costa e Paulo Fernando Henriques Britto.