Troféu literário 2015


Olá, pessoal! 
Final de ano está aí e todo mundo começa a pensar se bateu a meta, quantos livros leu, se achou que fez boas escolhas etc. Bom, porque eu estou falando sobre isso? Tudo começou quando a Nádia, do Além do livro, me convidou para participar de um projeto muito bacana, que se chama "Troféu literário 2015" que foi idealizado por ela mais a Karina do Livros & Escritos. Segundo elas: "A ideia do Troféu Literário é compilar o que rolou de melhor e pior entre as nossas leituras de 2015." Eu adorei a ideia, e, obviamente, aceitei participar! Os participantes têm até o dia 31 de dezembro para publicar sua lista, e as meninas vão divulgá-las no blog delas, legal, não? No final do projeto, ainda vai rolar um sorteio, uhuu! Vamos ao que interessa...
TROFÉU LITERÁRIO 2015
And the Oscar goes to…
Os melhores e piores
  • O melhor livro: "1984 - George Orwell"
  • O pior livro: "Sementes no gelo - André Vianco"
  • O livro com a melhor capa : "A menina submersa - Caitlín R. Kiernan"
  • O livro com a pior capa: "Otelo - William Shakespeare"
  • O livro que rendeu a melhor adaptação cinematográfica: "O pequeno príncipe de Antoine de Saint-Exupéry (2015)"
  • O livro que rendeu a pior adaptação cinematográfica: "O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde (2009)"
  • O título mais genial: "Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez"
  • O título mais nada a ver: "Objetos cortantes - Gillian Flynn"
  • O melhor enredo: "Lolita - Vladimir Nabokov"
  • O pior enredo: "Sementes no gelo - André Vianco"

Os queridinhos
  • O meu personagem queridinho: "Tyrion Lannister de A guerra dos tronos"
  • O personagem que me deu nos nervos: "Fabiano de Vidas Secas"
  • O meu casal queridinho: "Anne Elliot e Frederick Wentworth de Persuasão"
  • O casal que me fez querer vomitar: "Otelo e Desdêmona de Otelo"
  • O personagem coadjuvante que roubou a cena: "Lord Henry de O retrato de Dorian Gray"
  • O personagem coadjuvante que eu mataria: "Petyr Baelish de A guerra dos tronos" 

As surpresas e decepções
  • O autor que mais me surpreendeu: "Franz Kafka"
  • O autor que mais me decepcionou: "Agatha Christie"
  • O livro que mais me surpreendeu: "Garota, interrompida"
  • O livro que mais me decepcionou: "O rei de amarelo"

As sensações 
  • O beijo que me fez suspirar: "?" Nenhum beijo me fez suspirar
  • O trecho que mais me marcou:"A carta de Frederick para Anne em Persuasão"
  • A história que mais me inspirou: "Felicidade Clandestina da Clarice Lispector"
  • O livro que acabou com as minhas lágrimas: "A menina que roubava livros de Markus Zusak"
  • A trama que me causou arrepios: "A morte e os seis mosqueteiros de Anatole Jelihovschi"
  • O livro que me deixou mais curioso: "O mágico de Oz de L. Baum"
  • A obra que me fez gargalhar: "Extraordinário de R.J. Palacio"
  • A história da qual eu sinto mais saudades: "O morro dos ventos uivantes de Emily Bronte"
  • O crime que me pegou de surpresa: "O assassinato de Objetos cortantes"

Os “mais”
  • A leitura mais difícil: "Cem anos de solidão"
  • A leitura mais fácil: "A culpa é das estrelas"
  • O livro que li mais rápido: "O pequeno príncipe"
  • O livro que mais demorei para ler: "A guerra dos tronos"

E por fim…
  • Em 2015, minha meta era ler 25 livros e terminei o ano com 30 leituras.
  • Para 2016, minha meta é ler 50 livros.

Essas foram as minhas escolhas para o Troféu Literário edição 2015 :) Adorei participar desse projeto, obrigada Nádia pelo convite!

O que acharam? Já leram algum dos livros citados?

Beijinhos, Hel.

Projeto: lendo 50 livros em 2016

Olá, como vão de final de ano? Eu estou aliviada pois já estou de férias e livre, leve e solta para ler o quanto eu quiser sem me preocupar com os trabalhos da faculdade!!!

Na foto: livros que li em 2015. Alguns não estão aí porque peguei emprestado ou estão emprestados :)


Nesse ano de 2015, eu estabeleci uma meta de leitura para 25 livros, pode parecer pouco, mas, para quem estuda, trabalha, faz estágio, cuida da casa, do gato, etc., é bastante coisa! Felizmente eu bati minha meta e consegui ler todos os livros que estavam parados há muito tempo na estante:

Leituras de 2015 por ordem cronológica (alguns com resenha disponível):

  1. A menina que roubava livros - Markus Zusak
  2. A culpa é das estrelas - John Green
  3. Extraordinário - R.J. Palacio
  4. 1984 - George Orwell
  5. Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
  6. O fantasma - Robert Harris
  7. O pequeno príncipe - Antoine de Saint-Exupéry  (releitura)
  8. O morro dos ventos uivantes - Emily Bronte  (releitura)
  9. Felicidade Clandestina - Clarice Lispector
  10. Vidas Secas - Graciliano Ramos  (releitura)
  11. Otelo - Shakespeare
  12. Objetos Cortantes - Gillian Flynn
  13. O Rei de Amarelo - Robert Chambers
  14. O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde 
  15. A Menina Submersa - Caitlín R. Kiernan
  16. Persuasão - Jane Austen
  17. A Metamorfose - Franz Kafka
  18. O Mágico de Oz - L. Frank Baum
  19. A Morte e os Seis Mosqueteiros - Anatole Jelihovschi
  20. Sementes no Gelo - André Vianco
  21. Coraline - Neil Gaiman
  22. Um corpo na biblioteca - Agatha Christie
  23. Garota, interrompida - Suzanna Kaysen
  24. Horror plasmado em carvão 
  25. Casa de pensão - Aluísio Azevedo
  26. A guerra dos tronos - George R. R. Martin
  27. Lolita - Vladimir Nabokov
  28. Peter Pan - James M. Barrie
  29. Marianas: a civilização dos sonhos - E. Chérri Filho
  30. Em andamento: O guia do mochileiro das galáxias

Jane Austen não poderia faltar <3
Bom, como puderem perceber pela lista, as leituras do começo do ano não possuem resenha aqui, pois o blog ainda não existia, mas, se quiserem que eu faça a resenha de algum desses livros, eu releria com muito prazer. Falando em releitura, esse ano reli três livros que eu gosto muito, mas reler é uma coisa que eu não faço muito.
Mas, se bater a minha meta de 2015 foi fácil, já não posso dizer o mesmo para a meta que estabeleci para 2016, já que, no ano que vem, ainda tenho outro estágio para dar aulas e, no segundo semestre, tenho TCC... Contudo, eu tenho uma estratégia que é a mais simples de todas: ler o máximo que eu puder nas férias! Vai ser uma loucura tentar ler 50 livros em um ano, mas, com organização e persistência, eu consigo! Eu fiz um cálculo (olha a pessoa de humanas tentando calcular) e presumi que, se eu ler 15 livros nas férias de verão e 15 livros nas férias de inverno, vão sobrar somente 20 livros para ler durante os dois semestres, ou seja, 10 livros a cada semestre. Concentrar menor quantidade de leitura para o período em que estarei estudando vai tornar bem mais fácil a minha vida de estudante, já que não vou disputar o tempo de leitura com os trabalhos e estágios! Espero que eu consiga bater a meta e que eu seja feliz na escolha dos livros como eu fui nesse ano!

Olha ali meu queridinho: 1984 <3
E vocês, já estão planejando as leituras para o ano que vem? Me desejem sorte e tempo livre! :)

Beijinhos, Hel.

Resenha: “Marianas: a civilização dos sonhos” de E. Chérri Filho


“Tudo o que fazemos por amor está acima do bem e do mal.”


Foto: arquivo pessoal

O ser humano sempre teve medo do desconhecido. Fato. Mas para Jeremy, o protagonista dessa história, o desconhecido sempre foi o que ele buscou durante toda a sua vida de pesquisas no fundo do mar. Jeremy amava o mar e tudo que se relacionava a ele, o oceano era a sua vida e, financiado por um amigo, ele empreendeu uma jornada em busca de uma civilização em que só ele acreditava existir: a cidade perdida de Atlântida.

“A lenda da Atlântida perdida tem fascinado a humanidade ao longo do milênio. Colombo procurou a Atlântida e descobriu as Américas. Os britânicos investigaram os Açores e os nazistas passaram o pente fino na costa da Noruega em busca de pistas. E a demanda pela verdade continua nos tempos modernos.” (CHERRI, 2015, s/p*).

Jeremy acredita piamente que haja essa civilização a qual ele chama “civilização dos sonhos” cujos habitantes são seres metade humanos e metade peixes, como as sereias mitológicas. Certo dia, quando estava pesquisando nas Ilhas Marianas, ele resolve mergulhar e sente “alguém” tocar em sua face. Inebriado de emoção, ele resolve descer com o submarino para averiguar o que foi que tocou nele, ele sai do submarino ao perceber um ser se movimentando muito rapidamente, mas se esquece de colocar o equipamento de mergulho corretamente. É então que sua vida muda drasticamente:

“O que estava diante de si era inenarrável. Uma fêmea metade humana, metade peixe. Como era possível? Um toque, o mesmo toque que recebera enquanto mergulhava nas ilhas pela primeira vez.” (CHÉRRI, 2015, s/p*).

Ele desmaia e é salvo pela sereia que o tocou. Quando acorda, não pode acreditar no que vê: a civilização dos sonhos! A cidade com que sempre sonhara conhecer! Sem ainda poder acreditar em tudo o que estava acontecendo, a sereia fala com ele:

“ – Olá! Sou Licia, uma ariata azul. Você tem um nome?
Jeremy não consegue responder. [...] Uma linda espécie estava em pé ao seu lado. A face, cabeça, ombros e braços assemelhavam-se aos de um ser humano, mas as extremidades inferiores tinham a aparência de um peixe.” (CHÉRRI, 2015, s/p*).

Foto: arquivo pessoal

Aos poucos, Licia mostra toda a cidade para Jeremy. Sua civilização é conhecida como os “ariatas” e são divididos em ariatas azuis e ariatas vermelhos. Ambos vivem sob um tratado de paz, desde que um não invada o território do outro. Os ariatas azuis vivem em paz e harmonia e pregam o amor ao próximo, já os ariatas vermelhos têm um líder muito maldoso, Zorguin, que sempre fora apaixonado por Licia, que é uma jovem líder dos ariatas azuis, mas nunca foi correspondido por ela. Além disso, Zorguin sempre teve um ódio e sede de poder jamais visto em nenhum ariata, ele almeja dominar todo o oceano e para isso não medirá as consequências.

Com a chegada de Jeremy, a situação dos ariatas complica, já que um humano nunca tinha entrado em contato com a civilização deles, assim, eles precisam tomar uma importante decisão: ou confiam em Jeremy que ele não vai contar sobre o que descobriu e o devolvem para a superfície; ou ele continua vivendo com os ariatas. Jeremy, por sua vez, suplica que os ariatas o deixem viver ali:

“Tudo o que sempre sonhei está aqui diante dos meus olhos. Sempre me senti inadequado [...] insatisfeito, imcompleto. Procurei tantas vezes me sentir inteiro. [...] Por favor! Prefiro um dia apenas aqui com vocês que mil anos vivendo o que eu vivi até chegar aqui. Não tirem isso de mim!” (CHÉRRI, 2015, s/p*).

Licia, ao perceber o quanto Jeremy fora sincero e apaixonado em suas palavras, sente algo diferente, ela também queria que ele ficasse ali. É claro que eles se apaixonam, o amor de Licia e Jeremy estava escrito nas estrelas, era para acontecer. Licia salvara a vida dele e ela sempre foi o que ele sonhara!

Contudo...

Quando Zorguin descobre que os ariatas azuis estão acobertando um ser humano, um plano maligno surge em sua cabeça. A partir daí, a paz e harmonia iriam abandonar a vida de Licia e seus companheiros da cidade dos ariatas azuis.
Será que no final, o bem e o amor vencerão?

***

Muito mais que a história de amor entre um homem e uma sereia, eu diria que este livro é uma história de amor ao próximo, quer este próximo seja humano ou não. A história deste livro nos mostra que o que fazemos em nome do amor é sempre o mais importante, não importa o quanto pareça insensato, às vezes. A personagem Licia, muitas vezes me deixou irritada pela sua imprudência, mas só depois que percebi que quando é preciso salvar quem amamos, não nos importamos com o perigo que nos cerca.
A narrativa desse livro, apesar de ter muitos momentos de tensão e luta, me deu uma sensação de leveza, principalmente com o desfecho que me surpreendeu. Os personagens são muito bem descritos e o enredo conseguiu me prender do início ao fim, nunca tendo momentos em que a leitura se tornou cansativa. Acredito que as cenas de batalha deveriam ter sido melhor descritas, um pouco mais detalhadas, mas de forma alguma isso interferiu na compreensão do texto.
Uma temática que o livro trouxe e que achei muito interessante foi a questão de como o ser humano lida com o desconhecido e o novo, já que os ariatas temeram que Jeremy ficasse tentado a contar ao mundo sua descoberta em troca de fama e dinheiro. Isso é algo que permeia demais nossa atual sociedade, esse egoísmo. As pessoas, cada vez mais só se importam com seu bem estar e cada vez menos se importam com o próximo.

Recomendo fortemente a leitura desse livro: contém romance, contém ação e reflexão, é um livro completo a meu ver e que irá agradar à maioria dos leitores.

Foto: arquivo pessoal


Beijinhos, Hel.

FILHO, E. Chérri. Marianas: a civilização dos sonhos. 1ª ed. São Paulo: Ed. Giostri. 2015, 260 p.


*As citações estão sem número de página pois o livro não contém paginação.

Peter Pan de James M. Barrie

“Todas as crianças crescem, menos uma.” (BARRIE, 2013, p. 11).

Foto: arquivo pessoal


Peter Pan, o mistério em forma de criança. Ninguém sabe de onde ele veio ou quem ele é, mas todos o admiram e o respeitam. E quem não? Não seria invejável poder ser uma criança para sempre? Não precisar trabalhar nem ter compromissos chatos? A vida seria só diversão.
Peter, o protagonista dessa curiosa história, é arrogante e faz o que quer. Certo dia, ele entra pela janela da casa dos Darling e leva seus filhos, Wendy, João e Miguel para a Terra do Nunca, deixando o Sr. e a Sra. Darling aflitos e inconsoláveis.
Quem nunca ouviu falar da Terra do Nunca? Um lugar maravilhoso onde as crianças nunca crescem. Pois é lá que Peter mora. Mas será que essa terra é assim tão maravilhosa? Ao chegar lá, as crianças já enfrentam um cenário de guerra: os pele-vermelhas perseguem os piratas, que perseguem as feras que, por sua vez, perseguem os meninos perdidos e assim por diante. Wendy fica desesperada e a fada Sininho, com ciúmes de Peter Pan, arma uma tocaia e faz com que os meninos alvejem-na com uma flecha. Quando eles percebem o que fizeram com a menina que seria a mãe deles e lhes contaria histórias, entram em desespero e temem o que Peter Pan poderia fazer. Por sorte ela sobrevive e, a partir daí, passa a tomar conta dos meninos perdidos como uma mãe. O que lhes custa admitir, é que eles sentem saudade, sim, de ter uma mãe:

“Eles só podiam falar em mães na ausência de Peter, pois ele proibia o assunto, que considerava muito bobo.” (BARRIE, 2013, p. 85).

Foto: arquivo pessoal

Mas há uma ameaça que nunca deixa Peter dormir em paz: o capitão James Gancho! Ele e Peter eram inimigos mortais pois o garoto, certa feita, arrancou a mão de Gancho e a jogou para um crocodilo comer e, desde então, o crocodilo passara a seguir Gancho, querendo mais:

“Era um homem de coragem indomável, e dizem que só se assustava ao ver o próprio sangue, que era grosso e de uma cor diferente. [...] Mas, sem dúvida, a parte mais aterradora de sua aparência era sua garra de ferro.” (BARRIE, 2013, p. 82).

O ápice da história surge quando Gancho captura Wendy e os meninos perdidos e Peter tem de salvá-los, propiciando ao leitor as passagens mais engraçadas, e ao mesmo tempo assustadoras, do enredo:

“Subitamente, Gancho se viu cara a cara com Peter. Os outros se afastaram e formaram um círculo em torno deles.
Durante um longo tempo, os dois inimigos se olharam. Gancho tremia levemente, e Peter tinha um estranho sorriso no rosto.
- Então, Pan – disse Gancho afinal. – Tudo isso é culpa sua.” (BARRIE, 2013, p. 216).

Foto: arquivo pessoal

***

Esse é um livro daqueles clássicos, que todos já ouviram falar e que é referência na cultura até hoje! Como não interpretar essa obra pelo viés da beleza da infância, a magia do faz de conta, mas também, a partir da questão do mundo adulto, já abordada por Exupéry em "O pequeno príncipe"? Peter Pan é um misto de inocência e maldade, infância e maturidade. O mistério da existência de Peter sugere ao leitor uma criatura mítica, que jamais crescerá e perderá seus dentes de leite, uma criatura que povoa a mente não só das crianças, mas também dos adultos que foram tocados pela magia do pó de fadas e da possibilidade de ser criança para sempre. 
Peter Pan, pode-se dizer, é o desejo intrínseco que toda criança tem de nunca querer crescer. Peter Pan é o medo do desconhecido, é o medo de amadurecer!
Quem não conhece uma criança - ou já foi essa criança - que dizia "Eu nunca quero me casar!", ou que diante da fatídica pergunta "O que você quer ser quando crescer?" fica sem saber o que dizer!? Peter Pan é um alerta: Deixemos as crianças serem crianças! A infância passa num piscar de olhos.

Me senti tão leve ao ler esse livro, a narrativa é tão fluida, com um vocabulário tão simplificado, que as duzentas e cinquenta e três páginas passaram voando! É gostoso, também, o jeito que o narrador fala diretamente ao leitor:

"Será que eles vão chegar ao quarto das crianças a tempo? Se chegarem vai ser muito bom para eles, e nós todos vamos dar um suspiro de alívio, mas não vai ter história. Por outro lado, se eles não chegarem a tempo, eu prometo solenemente que vai dar tudo certo no fim." (BARRIE, 2013, p. 61).

E os personagens desse livro, o que falar deles? Tão bem construídos e todos muito cativantes a seu modo. O protagonista, Peter, é o mais bem descrito e, apesar de ser arrogante e desajuizado, representa a pureza da criança, que não vê maldade e perigo no mundo, dada a forma como ele encara seu algoz, o Capitão Gancho. Mas quem me chamou atenção, mesmo, foi a babá das crianças: a cadela Naná. Que amor de cãozinho! Sem falar na loucura que era a Sininho que, de tão pequena, só podia ser má ou boa, só cabia uma personalidade de cada vez. 
Algo que achei muito interessante foi a dualidade das personalidades de Peter e Gancho que, embora possa-se dizer que são o protagonista e o antagonista, respectivamente, Peter se mostra arrogante e orgulhoso e Gancho, por sua vez, se mostra extremamente polido e sentimental.
Há passagens muito lindas no livro, como quando Peter explica à Wendy como as fadas nascem:

"Sabe, Wendy, quando o primeiro bebê riu pela primeira vez, o riso dele quebrou em milhares de pedaços e todos eles saíram pulando, e esse foi o começo das fadas." (BARRIE, 2013, p. 48).

Lindo, não?
Sem falar nessa edição de bolso de luxo da editora Zahar que já caiu nas graças do público; capa dura, páginas amareladas, diagramação perfeita (sou suspeita para falar dessa editora que é uma das minhas favoritas). Essa proposta, também, de publicar livros clássicos da literatura infantil como Peter Pan, O mágico de Oz, Alice no país das maravilhas e por aí vai, também é algo que me agrada muito nessa editora!
Enfim...
Eu poderia ficar, aqui, falando eternamente sobre Peter Pan, mas receio que você, leitor, já esteja ficando cansado. Para resumir, então, indico fortemente a leitura desse clássico da Literatura infantil, caso você ainda não conheça a magia do pó de fadas e as aventuras de piratas da Terra do Nunca. E não esqueça: ainda há, dentro de você, um lado criança que enxerga a beleza e o lado divertido das coisas, não o deixe morrer!

Beijinhos, Hel.

BARRIE, James M. Peter Pan. 1ª ed. Rio de Janeiro: Zahar. 2013, 253 p. Tradução de: Julia Romeu.

Parceria com autor E. Chérri Filho, livro "Marianas: a civilização dos sonhos"

Vocês repararam como as Sereias estão na moda? Mas porque estou falando disso? É porque acabou de chegar para mim o livro "Marianas: a civilização dos sonhos" do autor E. Chérri Filho, em parceria com o blog!

Foto: arquivo pessoal

Sinopse: O extraordinário amor entre um homem e uma sereia nasce e enfrenta grandes dificuldades em meio à disputa de poder no fundo dos mares, numa civilização amiga cuja existência é negada ou escondida pelos livros de História. Jeremy e Licia operam um no outro grandes transformações de pensamentos e sentimentos, em razão do que vivem, inusitado, intenso e sincero. Embarque com eles nesta viagem da qual certamente você não voltará o mesmo.

***

Bom, não posso dizer que, ao ler a sinopse, não tenha me remetido a história d´A pequena sereia, de Hans Christian Andersen, que eu A-MO! Espero que esta história, por sua vez, não tenha um final tão triste quanto aquela, rsrs. Ainda não comecei a leitura, mas pretendo começar em breve e resenhar aqui no Leituras e Gatices, se vocês gostaram da premissa do livro, fiquem atentos!

Foto: arquivo pessoal
Eu achei essa capa linda e nas folheadas que eu dei fiquei muito empolgada, o livro tem páginas amareladas e uma diagramação bem boa para a leitura: letras num tamanho bom e espaçamento e margens agradáveis para a leitura. Só achei esquisito o fato de não ter paginação, para ser franca, esse é o primeiro livro de que tenho conhecimento que não possui número de páginas.

Um pouco sobre o autor do livro:

Jornalista e escritor, Chérri Filho é autor de diversos romances e do roteiro de um documentário sobre o grupo musical Mamonas Assassinas. Trabalhou em veículos de comunicação em Washington, D. C. (Estados Unidos) e em Trento (Itália). Atuou como roteirista junto ao apresentador Fausto Silva e ao diretor de TV Roberto Manzoni, o “Magrão”, no SBT.

Adicionem o livro no Skoob: Marianas: a civilização dos sonhos

E aí, já leram alguma história de sereias? Ficaram curiosos com a história? Eu fiquei!

Beijinhos, Hel.

Lolita ou uma história que não é de amor

Foto: arquivo pessoal

Obs.: esta resenha contém spoilers e polêmicas

Ler Lolita exige muita coisa do leitor, uma delas é saber apreciar uma obra independente do seu conteúdo, digo isso porque Lolita me soou como um paradoxo: o livro é lindo e sujo, poético e nojento. Nabokov consegue exprimir, por meio das palavras mais belas, os atos mais inescrupulosos. É a história de um pedófilo? Sim. E discordo dos que afirmam que se trata de uma história de amor. Não estou aqui para discutir o valor estético da obra, que é inegavelmente bem escrita e narrada, contudo, seu conteúdo é delicado de ser abordado. Para quem não leu Lolita entender do que estou falando, vou fazer um breve resumo do enredo:

Humbert Humbert - doravante HH - é um francês de meia idade que se muda para os EUA. Ao chegar ao país, se hospeda na casa de Charlotte e, ao se deparar com a filha dela, Lolita, ele reflete nela um amor de sua juventude que faleceu precocemente, e se apaixona pela menina, que tinha somente doze anos. Até então relutante em ficar com o quarto, ele rapidamente muda de ideia e resolve morar com a família Haze. Durante sua estadia na casa, ele precisa se controlar diante do seu desejo constante pela menina Dolores/Dolly/Lolita e reprime todas as suas fantasias mais lascivas as escrevendo em um diário. Certa feita, quando Charlotte está levando Lolita para um acampamento de férias e HH está sozinho em casa, ele recebe um bilhete da mãe de Lolita, em que ela confessa a ele seu amor e pede que, se o amor dele não for recíproco, que ele deixe a casa. Apavorado com a ideia de sair da casa e não ver mais Lolita, ele se casa com Charlotte. Meses depois, a esposa encontra o diário de HH com todas as declarações de seu “amor” por Lolita (que o leitor não fica sabendo do que se trata) e Charlotte, desatinada, ao atravessar a rua acaba sendo atropelada e morre. Diante da situação, HH se vê livre do “estorvo” que era a esposa e busca Lolita no acampamento, quer dizer, ele a rapta e esconde por dias o fato de que a mãe dela está morta. Juntos, eles partem numa viagem pelo país sem parada e, durante esse percurso, e diante da descoberta de que Lolita não é mais “pura” é que começam os abusos.

***
Foto: arquivo pessoal

Esse livro, com certeza, não é um livro de leitura fácil, e não digo isso pelo vocabulário – que é magnífico, diga-se de passagem – mas pelo seu conteúdo. A mim, é a história de um homem doente, fissurado, obcecado não pela menina, mas por sua idealização, pela ninfeta (termo cunhado por Nabokov). Afirmo isso, pois, em vários momentos da narrativa, HH deixa claro que só sente atração por ninfetas e que, quando Lolita não ser mais uma, ele não a amará mais, embora isso não aconteça.

“Sabia que me apaixonara por Lolita para sempre; mas sabia também que ela não seria Lolita para sempre. Faria treze anos no dia 1º de janeiro. Dentro de uns dois anos deixaria de ser uma ninfeta e se transformaria numa “mocinha”, e depois – horror dos horrores – numa “estudante universitária”. A palavra sempre referia-se apenas a minha própria paixão, à eterna Lolita tal como refletida em meu sangue.” (NABOKOV, 2003 , p. 67).

Em seu ciúme enlouquecido, HH se apresenta às pessoas como pai de Lolita, a proíbe de fazer as coisas que as meninas de sua idade faziam e nenhum ato dela escapava de sua supervisão. Ele a mantinha sempre sob suas garras, com o intuito de que Lolita jamais pudesse se apaixonar por algum rapaz e, consequentemente, abandoná-lo. Dessa forma, ele, a meu ver, prejudicou o desenvolvimento emocional da menina, fato que se confirma quando ele é chamado na escola pelas professoras que demonstram preocupação em relação a certos comportamentos dela:

“A impressão geral é de que Dolly, apesar de seus quinze anos, mantém um desinteresse mórbido pelos assuntos sexuais ou, para ser mais exata, reprime sua curiosidade a fim de salvaguardar sua falta de conhecimento e seu respeito próprio.” (NABOKOV, 2003 , p. 198).

É fato que ele traumatiza Lolita, que em muitos momentos se mostra enojada por HH, a questão é que, como o livro é narrado pelo próprio HH, sabe-se que jamais saberemos o que se passava na cabeça da menina, mas, por meio de alguns diálogos, é possível perceber que ela não estivera feliz naquela vida. Ele também a subornava com comida, dinheiro, roupas etc. em troca de favores sexuais, mas ele sabe que ela não retribuia o seu amor:

“Você não vale nada. Eu era uma mocinha pura e inocente, e olha só o que você fez comigo. Devia chamar a polícia e dizer que você me violentou. Ah, seu velho sujo, sujo!” (NABOKOV, 2003, p. 142-143).

Claro que Lolita não era a menina mais inocente do mundo, mas isso não justifica – na verdade NADA justifica – o que HH fez a ela. Por mais que ela se atirasse nele, ele não tinha o direito de abusar dela. A verdade é que Lolita é uma obra riquíssima e a narrativa em primeira pessoa é que faz o leitor se sentir mais imerso na obra, pois, o narrador, psicologicamente instável, relata tudo o que aconteceu, mas em nenhum momento as suas palavras transparecem confiabilidade. As lacunas deixadas pela narrativa, como que fim teve Lolita e o próprio HH, de modo algum deixam o leitor insatisfeito. Por mais que em alguns momentos eu tenha largado o livro por estar me sentindo demasiado enojada pelas atitudes de HH, ao final da leitura fiquei extasiada diante da complexidade da obra – reiterada por um posfácio escrito pelo próprio Nabokov – e também diante do fato de que, enquanto obra de arte, Lolita é um livro impecável. A escrita de Nabokov é de uma estilística quase que poética  e não haveria como eu dar menos de cinco estrelas para Lolita.

Foto: arquivo pessoal.


NABOKOV, Vladimir. Lolita. Rio de Janeiro: O Globo; São Paulo: Folha de S. Paulo. 2003. 320 p. Tradução de: Jorio Dauster.

Lendo: As crônicas de gelo e fogo

SINOPSE: Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, aceita a prestigiada posição de Mão do Rei oferecida pelo velho amigo, o rei Robert Baratheon, não desconfia que sua vida está prestes a ruir em sucessivas tragédias. Sabe-se que Lorde Stark aceitou a proposta porque desconfia que o dono anterior do título fora envenenado pela manipuladora rainha - uma cruel mulher do clã Lannister - e sua intenção é proteger o rei. Mas ter como inimigo os Lannister pode ser fatal: a ambição dessa família pelo poder parece não ter limites e o rei corre grande perigo. Agora, sozinho na corte, Eddard percebe que não só o rei está em apuros, mas também ele e toda sua família.
Fonte: Skoob
Foto: arquivo pessoal


Olá, leitores. hoje vou discorrer sobre um livro/história que ganhou meu coração nesse ano: As crônicas de gelo e fogo (doravante ACGF)! Tudo começou quando decidi assistir a série com meu noivo e gostei tanto da trama que resolvi comprar os cinco livros. Essa semana, terminei de ler o primeiro volume ALELUIAAAA, intitulado A guerra dos tronos. Então, se você está querendo se aventurar nas aventuras de Daenerys, Jon Snow, Arya Stark e cia ltda., esse é o lugar certo para você! 
Não pretendo fazer, contudo, uma resenha do livro - já que muitas pessoas conhecem a história e já devem ter lido uma centena de opiniões - , mas sim, pretendo fazer uma espécie de comparativo com a série e uma análise dos pontos positivos e negativos da leitura de A guerra dos tronos. Simbóra!

O LIVRO versus A SÉRIE

Fiquei muito surpresa quando terminei de ler o primeiro volume, pois notei que o roteiro da série seguiu exatamente a mesma ordem cronológica da narrativa do livro! Muitas pessoas comentam que a série é muito diferente dos livros e o que eu digo é: Sim, algumas coisas, bem pequenas, são diferentes como, por exemplo, a idade dos personagens. No livro, os filhos do Lord Stark são muito jovens, sendo que os mais velhos, Robb e Jon, por exemplo, têm apenas 14 anos, já na série, eles aparentam ser muito mais velhos! Outro aspecto que difere também é a descrição física de alguns personagens, como o Tyrion Lannister, que no livro é descrito com cabelos muito louros e lisos (característica típica dos Lannisters) já, na série, ele tem cabelos castanhos e ondulados. Mas gente, quem é que liga para isso?! Não leia As crônicas de gelo e fogo esperando que os livros sejam iguais à série!!! É preciso compreender que são formatos diferentes, e esse comentário vale para qualquer adaptação cinematográfica. No caso de A guerra dos tronos, que é um livro de mais de 1000 páginas (pelo menos na minha edição eram 1066 páginas), a narrativa contém muitas informações e detalhes que não podem ser todos incluídos numa série de 10 episódios.

DICAS PARA QUEM NÃO LEU OS LIVROS MAS TEM VONTADE:

  • Se você é do tipo que acha que mocinhos são 100% bons e vilões são 100% maus, é melhor você rever esse conceito, pois os personagens de George R.R. Martin não se encaixam nesses estereótipos;
  • Falando em mocinhos e vilões, não leia ACGF se você acha que uma história é boa quando a justiça prevalesse e os maus pagam por seus erros, isso simplesmente não acontece;
  • Tente não se apegar muito aos personagens: eles podem morrer em um virar de páginas;
  • Tá, eu sei, é impossível não se identificar com a história ou a personalidade de algum personagem, mas fica o aviso: você vai sofrer!

PONTOS POSITIVOS DO LIVRO:

  • O livro é todo narrado em terceira pessoa seletiva. Mas o que é isso, Helena? Esse tipo de narrador nos mostra o ponto de vista de vários personagens dentro de um mesmo enredo, tornando, a meu ver, a narrativa muito mais rica. Em ACGF, os capítulos são divididos por personagens, assim, no primeiro volume temos capítulos divididos em: Ned, Catelyn, Jon, Bran, Sansa e Arya da casa Stark; Daenerys da casa Targeryen e Tyrion da casa Lannister. Essa divisão dá ao leitor uma visão privilegiada dos fatos durante a narrativa e faz com que, muitas vezes, saibamos de determinada informação antes que algum personagem;
  • Personagens muito, muito bem construídos: cada um deles tem personalidade tão singular que é como se tivessem sido escritos por autores diferentes e é nesse aspecto que o excesso de descrição que George R.R. Martin emprega em sua escrita se mostra mais eficaz. Por conta disso, é certo que você amará alguns personagens e odiará outros (como eu amo os capítulos da Daenerys <3);
  • Capítulos curtos: tornam a leitura muito mais dinâmica e faz parecer que se está lendo numa velocidade maior.
Meus capítulos favoritos: os da Daenerys <3


PONTOS NEGATIVOS DO LIVRO:

  • Nem é preciso apontar que a extensão das páginas é um ponto negativo, é leitura de fôlego e, se você não tem o hábito de ler, talvez se canse da história. Contudo, a história se prolonga pelo fato de que a escrita de Martin é extremamente descritiva: cada árvore, cada feição, trejeito, tudo, TUDO é descrito com a maior exatidão e esmero possíveis;
  • Muitos personagens: isso, sem dúvida, complica a vida do leitor, são tantos personagens, que chegou um momento da minha leitura em que tentei parar de decorar os nomes, as casas as quais eles pertenciam, as funções que exerciam e parentescos. O que anima é que, no apêndice do livro, há uma relação de todas as casas dos sete reinos e os nomes de seus constituintes;
  • Muitos lugares: também não espere decorar a localização geográfica de todos os lugares citados no livro, mas caso você  esteja se sentindo perdido, há um mapa ilustrado onde você pode consultar a localização dos lugares citados na história (pelo menos na minha edição há um).


Bom, lembrando que essa é a minha opinião e que, por mais que eu tenha apontado alguns pontos negativos, quero que fique bem claro que eu amo (muito mesmo) os livros e a série também! Se você discorda de algum dos aspectos apontados aqui nesse texto, me diga o porquê abaixo, nos comentários! Adoro conversar sobre livros! ;)

Beijinhos, Hel.

MARTIN, George R. R.. A guerra dos tronos.  Edição de colecionador. São Paulo: Leya. 2012, 1066 p. Tradução de: Jorge Candeias.

TAG: No país das maravilhas

TAG
Olá, leitores! Hoje vou responder uma Tag que achei muito bacana: No país das maravilhas!
Essa Tag foi criada pelo canal Menino dos livros, originalmente. Mas quem eu vi respondendo e fiquei com muita vontade de responder também foi a minha colega de curso, a Júlia, que também tem um canal no YT sobre literatura, o Entre Linhas.
A Tag consiste em relacionar os personagens da estória de Caroll a um livro que tenhamos lido. Eu, particularmente, adoro esse livro. Vamos às minhas respostas!

Fonte: Blog Prefácio


Alice: Um livro que te fez cair em outro mundo.

Com certeza foi O Hobbit. Tolkien conseguiu criar um mundo novo em suas estórias, com povos, costumes e línguas diferentes e isso é bárbaro! Eu adorei “viajar” pela Terra Média durante esta leitura J

Fonte: Pipoca Musical


Chapeleiro Maluco: Um livro com protagonista louco

Só um? Eu já falei aqui no blog que eu adoro livros com personagens loucos? Bom, tem que escolher só um, então, vou escolher o último livro que li com um personagem louco: A menina submersa (resenha aqui). A protagonista deste livro, Imp, é esquizofrênica e é ela quem narra o livro, resultando numa experiência de leitura muito diferente do convencional!

Foto: arquivo pessoal

Coelho Branco: Um livro que atrasou suas leituras

Quem ESTÁ atrasando as minhas leituras é o senhor George R.R. Martin com o seu A guerra dos tronos! Eita livro que não acaba mais, minha edição tem 1066 páginas e agora que cheguei na metade, mas, como eu sabia que demoraria muito para lê-lo, intercalo a leitura dele com outros livros. Acho que já li uns cinco livros enquanto lia A guerra dos tronos!

Foto: arquivo pessoal


Gato Risonho: Um livro que te fez rir

Gente, e se eu disser que não tenho nenhum livro feliz na minha estante? Vocês acreditariam? Só tenho tragédia e drama! E eu não posso responder Alice! O Hobbit, talvez, foi uma leitura muito gostosa, no início, na cena e que os anões "invadem" a casa de Bilbo, dei muitas risadas.

Lagarta Azul: Um livro que te fez refletir

A Hora da Estrela de Clarice Lispector foi um livro que me tirou do ar e me fez pensar em muitas coisas relacionadas à existência. Aqui, eu poderia citar qualquer livro da Clarice que eu tenha lido, pois a escrita dela é sempre muito subjetiva e é impossível não ficar se “coçando” depois de ler algum texto dela!

Tweedledee e Tweedledum: Dois livros parecidos

Alice no país das maravilhas (olha eu "roubando"' na Tag) e O mágico de Oz (resenha aqui). Muita gente comenta que Baum se inspirou na estória de Carroll para escrever sua mais famosa obra, e eu tenho que concordar que ambas as narrativas são muito parecidas: uma menina que "cai" em um mundo novo, cercada de seres fantásticos que a acompanham em uma jornada. Ambos são ótimos livros e não consigo definir qual eu acho o melhor!

 
Foto: arquivo pessoal

Rainha de Copas: Um livro em que o autor adora matar personagens

Poderia citar George RR Martin de novo, mas todo mundo sabe que ele é famoso por matar personagens, então, cito Hamlet, de Shakespeare (o Shakespeare era um George Martin da sua época) que adora uma tragédia. Aliás, nunca li um livro de Shakespeare em que alguém não morresse, rsrs. A estória de Hamlet é bem trágica e não vou contar mais nada porque já dei spoiler demais aqui!


Tag respondida!

Beijinhos, Hel.

Primeiras impressões - LEXUS de Paulo Henrique Bragança


Lexus: o despertar da escuridão

Imagem: capa do livro, disponibilizada pelo autor
Olá, leitores! Hoje vou fazer um post um pouco diferente. Não é resenha, mas é quase!
O autor Paulo Henrique Bragança está fazendo a divulgação de seu novo livro, Lexus, que será lançado no dia 17/12, e convidou blogueiros literários para participar - eu sou um desses blogueiros ^^. A ideia consiste em ler os dois primeiros capítulos do livro e divulgar as impressões a partir da leitura. Abaixo, segue a sinopse de Lexus:

SINOPSE: A cidade de Campos Elíseos parece o paraíso na terra; escolas de qualidade, sistema de saúde exemplar. Um verdadeiro símbolo de prosperidade. Bianca, uma adolescente de 17 anos vive lá com sua família. Seus pais trabalham no Laboratório Lexus, principal responsável pelo desenvolvimento da cidade. Certo dia, os pais de Bia precisam viajar a negócios. Influenciada pelas amigas, Bia resolve dar uma grande feste, mas algo muito mais assombroso acontece naquela noite; a cidade sofre um atentado terrorista. Criaturas começam a surgir das sombras e o terror se espalha pela cidade. Conseguira Bia sair daquele inferno e salvar as pessoas que ama? E seus pais, o que acontecera com eles?

Uma história de zumbis que arremete aos grandes clássicos do cinema e dos videogames

***

De início, achei que essa experiência de falar sobre um livro sem ter lido na íntegra não seria legal, pelo fato de ser ruim julgar um texto sem saber do desfecho de sua narrativa, nem o desenrolar dos fatos ou a evolução dos personagens. Contudo, o convite do Paulo foi muito gentil, e pesou na minha consciência o fato de eu dificilmente falar sobre autores brasileiros aqui no Leituras e Gatices, logo, resolvi embarcar nessa experiência.

A história é ambientada na cidade Campos Elíseos, um lugar com boa infra-estrutura e com uma qualidade de vida acima da média das outras cidades. A narrativa começa com um clima feliz, do tipo comercial de margarina. Bia, a protagonista, é uma garota de 17 anos, em fase de pré-vestibular, típica adolescente que gosta de ouvir música e ficar nas redes sociais. Seus pais e o irmão Lucas, apesar de estarem sempre pegando no pé uns dos outros, aparentam se amar e conviver pacificamente. De início, podemos acompanhar a rotina de Bia: a escola, as amigas, os pequenos conflitos, etc.. Mas, de repente, a história assume um tom mais grave. Com seus pais fora de casa, Bia decide dar uma festa na casa deles, contudo, na noite anterior, sua amiga aparece em sua porta aos prantos pois seu pai havia batido em sua mãe e seu irmão. Apesar disso, a parte que pude ler acaba aí, não consegui descobrir como acontece o ataque terrorista e não pude ler sobre as criaturas nas pouquíssimas páginas às quais tive acesso. 
Nem um indício da tragédia está presente na amostra, logo, não tenho muito o que comentar sobre o enredo. Posso falar um pouco dos personagens, que achei bem construídos, apesar da simplicidade da escrita do autor. Paulo tem uma estilística boa, com uma narrativa que intercala bem os diálogos e a descrição dos cenários e personagens. Fiquei triste pois queria saber um pouco mais da história, mas vou ter que esperar o lançamento, então. Adoro ficção científica, e zumbis fizeram parte da minha infância como assídua jogadora de Resident Evil ^^. Atualmente, este é um gênero que estou meio distante, mas pretendo reatar minha relação com as histórias de terror!
Sobre o livro, já pude sentir a tensão que estava por vir nas últimas cenas que li, logo, acredito que a personagem Bia passará por mal bocados e precisará amadurecer muito para enfrentar as criaturas e proteger aqueles que ama. Será que ela se tornará uma heroína? Ou precisará ser defendida pelo irmão mais velho? E seus pais, chegarão a tempo de o ataque acontecer ou ficarão na angústia de terem deixado os filhos sozinhos em Elíseos? Dúvidas, dúvidas, dúvidas... Que só serão sanadas com a leitura do livro, até lá, curiosidade!

***

Sobre o autorPaulo Henrique Bragança, natural do interior de Minas Gerais, desde que aprendeu a ler não largou mais os livros. Começou sua carreira literária escrevendo resenhas e contos no blog Estante Jovem e após boa aceitação de seus contos resolveu arriscar-se em uma aventura maior.
Lexus”, seu primeiro filho literário, será publicado em breve pela Editora Arwen. E claro, não pensa em parar por aí. 

Contos publicados em Antologias:

Conto de Um Natal Sem Luz – Editora Ixtlan
Paralelos – Editora InVersos
Sombras e Desejos – Editora Ixlan
Noites Sombria – Darda Editora


E-mail: paulohenriquebraganca@gmail.com


Beijinhos, Hel.

Resenha: Garota, interrompida de Suzanna Kaysen

"As pessoas me perguntam: como você foi parar lá? O que querem saber, na verdade, é se existe alguma possibilidade de também acabarem lá. Não sei responder à verdadeira pergunta. Só posso dizer: é fácil." (Kaysen, 2013, p. 11).

Foto: arquivo pessoal.
Suzanna Kaysen, depois de uma consulta com um médico o qual nunca havia se consultado antes, é diagnostica com transtorno de personalidade limítrofe e é levada, por livre e espontânea pressão  vontade, ao Hospital Mclean, aos dezoito anos de idade.

"Afinal de contas, o que quer dizer personalidade limítrofe? Ao que parece, é algo que fica a meio caminha entre a neurose e a psicose: um psiquismo fraturado, mas não desmontado. Muito embora seja esse "o nome dado às pessoas cujo estilo de vida incomoda os outros", nas palavras do meu psiquiatra [...] Ele pode dizer isso, pois é médico. Se eu disser, quem vai acreditar em mim?" (Kaysen, 2013, p. 169).

A verdade é que Suzanna, aos dezoito anos, não tinha planos de entrar na universidade, nem arrumar um emprego "de verdade". Ela queria viver de Literatura e namorados, o que era considerado promíscuo e inadequado para alguém, ainda mais sendo mulher, em 1967. Seus pais também não concordavam com a ideia da garota, logo, interná-la no Mclean pareceu a única opção. Ninguém tentou entendê-la, ninguém quis saber dos motivos dela, só queriam encaixá-la nos padrões da sociedade daquela época e, como ela se recusou, foi classificada como "louca"! Diante da definição do transtorno, Suzanna reflete:

""[I]nstabilidade da autoimagem, das relações interpessoais e do estado de espírito... incertezas diante... das metas de longo prazo ou da escolha da profissão... ". Não é uma boa descrição da adolescência? Mal-humorada, inconstante, ligada em modismos, insegura. Em outras palavras, insuportável." (Kaysen, 2013, p. 169).

Ela era uma adolescente, assim como as garotas que conheceu e fez amizade dentro do Mclean: Georgina, Lisa, Daisy, Cynthia, Polly... Todas garotas interrompidas. Cada uma com um diagnóstico diferente, esquizofrenia, sociopatia...

"Em um estranho sentido, éramos livres. Tínhamos chegado ao fim da linha. Não tínhamos mais nada a perder. Nossa privacidade, nossa liberdade, nossa dignidade: tudo isso tinha acabado. Estávamos despidas até os ossos. (Kaysen, 2013, p. 110).

***

Suzanna descreve, em suas memórias biográficas, o cotidiano no Mclean: o tédio, as enfermeiras que não tiravam os olhos delas, os medicamentos que as dopavam, o eletrochoque, a solitária, colegas que se suicidavam... Métodos que as deixavam cada vez mais distantes da sanidade. Mas o que é loucura e o que é sanidade? Será que não querer entrar dentro de um comportamento "padrão" é considerado loucura? Ou será que eles é que estavam loucos e Suzanna estava sã, ciente do que queria para sua vida? Será que temos um emprego ou fazemos uma faculdade por que realmente é isso que queremos ou é o que a sociedade quer de nós? Fica a reflexão.

Esse livro mexeu muito comigo durante os dias que o li. De leitura fácil e com uma narrativa que beira a ficção, possui capítulos curtos e cheios de questionamentos que Suzanna desperta no leitor. Foi triste a jornada dela, sem receber o apoio dos pais e nenhuma visita durante seu período de internação, Suzanna estava alheia ao mundo lá fora. Penso que deve ter sido difícil para ela escrever essa biografia, pelo fato de que ela tenta, em diversos momentos da narrativa, provar que os médicos estavam errados e que seu diagnóstico foi prematuro e machista. Machista pois um homem nunca seria colocado em um hospício por namorar com várias mulheres ou por agir agressivamente. Mas diante disso, ela vê sua impotência e a falta de credibilidade que tem por ser uma pessoa que já esteve internada com um diagnóstico de transtorno de personalidade. 
Ler Garota, interrompida é uma experiência que recomendo a todos. Não há nada mais altruísta do que se colocar no lugar do outro e é isso que esse livro proporciona ao leitor. Achei interessante como Suzanna descreve sua loucura, como ela se sentia durante as crises e como enxergava as coisas a sua volta, é tão claro que chega a parecer didático. 

"Depois de passar anos internadas, gritando e causando problemas, muitas de nós já estavam prontas para outras coisas. Embora à nossa revelia, todas havíamos aprendido a dar valor à liberdade e faríamos qualquer coisa para conquistá-la e preservá-la." (Kaysen, 2013, p 142).

Obs.: Não assisti ao filme ainda, mas pretendo fazê-lo em breve, pois, como essa leitura foi feita para o mês de novembro do clube do livro que participo, cujo tema é "livro que virou filme", acredito que seja interessante fazer uma comparação entre os dois.

Já leram esse livro? Gostam de ler biografias?

Beijinhos, Hel.


KAYSEN, Suzanna. Garota, interrompida. São Paulo: Editora Gente. 2013. 189 p. Tradução de: Márcia Serra.