Resenha
A menina submersa, de Caitlín R. Kiernan, por Hel.
Olá
caros leitores, aqui estou para mais uma resenha e dessa vez o livro é A menina submersa, escrito por Caitlín R. Kiernan, lançado pela editora DarkSide Books em 2014.
Esse é o
primeiro livro que leio da DarkSide,
e confesso que estava ansiosa para ler algum dessa editora, logo, escolhi A menina submersa, pois estava
acompanhando alguns comentários na internet sobre esse livro e resolvi
procurá-lo.
A
principal personagem da estória é India Morgan Phelps, a Imp. Filha e neta de
mulheres loucas, ela tem plena consciência de que também não está 100% sã o
tempo todo e isso me fez gostar do livro logo de cara, pois adoro estórias de
gente louca, rsrsrsrs (sério mesmo!).
Imp
escreve suas memórias dentro de A menina
submersa, e esse tipo de voyeurismo
é um dos tipos de narrativas que eu mais gosto, essas sensação de que estamos
lendo algo como o diário de alguém, dá a impressão de que a personagem fala
diretamente conosco.
Imp
tenta entender o que levou sua avó Caroline e sua mãe Rosemary a cometerem
suicídio e, em alguns pontos ao longo de suas memórias, ela se mantém em uma
espécie de diálogo com as duas:
“Gente morta, ideias mortas e supostamente
momentos mortos nunca estão mortos de verdade e eles moldam cada momento de
nossas vidas. Nós os ignoramos e isso os torna poderosos.” (CAITLÍN, 2014, p.
116).
Imp é
pintora, tem uma namorada que se chama Abalyn e escreve por hobby. Quando criança, aos 11 anos,
exatamente, sua mãe a levara para uma exposição e ela vira pela primeira vez o
quadro A menina submersa, de Phillip
George Saltonstall (quadro fictício que só existe no universo do livro) e, mais
tarde, ela desenvolve uma espécie de obsessão em relação ao quadro e tudo que
se relaciona a ele, e é aí que aparece na estória a personagem Eva Canning.
Quando
Imp encontra Eva, nua e molhada em um acostamento de estrada, seu primeiro
impulso é tentar ajudá-la e levá-la para sua casa, Abalyn, no entanto, não
gosta muito da ideia (Quem, em sã consciência, recolhe um estranho da estrada e
o leva para casa?). Depois desse acontecimento, Imp fica obcecada por Eva e
desenvolve uma fixação por sereias, lobos e por outro pintor, Albert Perrault,
que faz a maioria de seus quadros e esculturas inspirado no conto de
Chapeuzinho Vermelho, conto que Imp em particular não gosta. A partir desse
ponto, a narrativa do livro fica muito confusa, é difícil discernir o que é
real (factual) do que é loucura já que é a própria Imp quem narra suas
memórias:
“Sempre há um canto de sereia que te
seduz para o naufrágio. Alguns de nós podem ser mais suscetíveis que outros,
mas sempre há uma sereia.” (CAITLÍN, 2014, p. 107).
Imp não
consegue entender por que, em sua memória, existem duas Evas; ela acredita que
a encontrou duas vezes, em julho e em novembro e que, nessas duas versões, Eva
era “pessoas” diferentes. Quando tenta lembrar qual das versões de Eva é a
verdadeira, Imp dá um nó em sua mente.
*
Quanto à
escrita de Caitlín, achei-a muito peculiar e imagino que ela tenha entrado
realmente dentro da personagem ao escrever o livro, digo, tem-se a sensação de
que de fato se está lendo algo escrito por um louco. A narrativa não apresenta grandes reviravoltas, mas a personagem Imp é muito
bem construída logo no início da estória e isso é um ponto forte em um livro.
Em todo o livro, há diversas referências muito legais, como por exemplo: Alice no País das Maravilhas, Odisseia, contos de Hans Cristian
Andersen e Perrault, Virginia Woolf etc., e isso torna o livro muito rico a meu ver, já que adoro uma intertextualidade, rsrsrs. Quanto à
edição, eu, como revisora, fiquei muito insatisfeita, o livro todo é muito
lindo, a capa, as ilustrações do interior etc., mas há muitos erros de
digitação e alguns errinhos de ortografia, isso me incomoda muito durante a
leitura. Como eu li uma tradução, não posso criticar diretamente a escrita da autora, mas o fato é que algumas passagens ficaram truncadas durante a leitura.
Indico essa leitura para quem, assim como eu, admira o trabalho de autores como Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft, pois Caitlín se aproxima muito desses grandes nomes com sua narrativa que causa terror com elementos que podem ser considerados cotidianos e até triviais
É isso,
queridos! Contem-me o que vocês acharam desse livro se já o leram e, caso não
tenham lido, quero saber se gostam desse tipo de estória!
Beijinhos,
Hel.
KIERNAN, Caitlín R.. A menina submersa: memórias. São Paulo:
Darkside Books, 2014. 320 p. Tradução de: Ana Resende e Carolina Caires Coelho.
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