Emma - Jane Austen

"Na verdade, os reais perigos da situação de Emma eram, em parte, ter o poder para satisfazer todas as suas vontades e, por outro lado, ser propensa a ter uma autoconfiança extremamente exagerada - essas eram as desvantagens que ameaçavam misturar-se com muitas de suas qualidades." (AUSTEN, 2015, p. 307)

Minhas duas edições de Emma, uma da Martin Claret e a outra da Landmark. A que eu li foi a da MC, mas pretendo ler a versão original na da Landamark porque é bilíngue.

Emma é de longe o romance mais inusitado de Jane Austen. A protagonista, que dá nome ao livro, não é nem um pouco heroína, tal qual Elizabeth Bennet, ou mesmo inocente, como Fanny Price. Emma é o que podemos chamar de patricinha mimada. Rica, bonita, talentosa, ela nem pensa em casar-se, pois não há nada que um homem possa dar a ela que ela não consiga pelos seus próprios meios. Porém, ela tem o péssimo hábito de se meter na vida alheia e, também, querer arrumar casamento para os conhecidos e amigos. E é com esse intuito que ela acolhe Harriet Smith, que é uma moça pobre e ingênua, que toma tudo que Emma fala como a mais pura verdade e se deixa levar pelas palavras dela. Emma, por sua vez, faz de Harriet sua cobaia e brinca com o destino da moça, fazendo ela recusar uma proposta de casamento de um rapaz que Harriet gostava, mas que, aos olhos de Emma, era de uma posição muito inferior.

"[Harriet]Acabará por se tornar uma moça refinada, mas apenas o suficiente para que se sinta incomodada com aqueles com os quais terá de viver em virtude de seu nascimento e posição."(AUSTEN, 2015, p. 330)

Eu diria que o restante da estória se desenrola com Emma tentando achar um casamento proveitoso para a amiga - primeiro com o sr. Elton, depois com Frank Churchill -, mas a verdade é que muito mais coisas engraçadas e também desastrosas acontecem. Emma comete tantos erros com a pobre Harriet que dá pena da garota, ela parece uma marionete nas mãos da "amiga". É claro que Emma também se mete em algumas enrascadas e passa por algumas humilhações, e é isso que deixa essa personagem de Jane Austen tão humana. Muita gente considera Emma a mocinha mais chata da escritora, e, em parte, eu concordo. Emma é o tipo de pessoa que acha que pode tudo porque é rica e poderosa. Apesar disso, percebe-se que ela faz tudo que faz porque quer ver o bem de todos, apenas é um pouco preconceituosa e intrometida. É o tipo de personagem que, apesar de fazer tudo errado, você deseja que se dê bem no final.

Cada romance possui uma ilustração no início. Essa é a de Emma. O marcador é da @casinhadelivro
O único que dá uns choques de realidade em Emma é o sr. Knightley, concunhado dela e grande amigo da família. Ele se sente à vontade na casa de Emma e, por isso, julga-se livre para dizer o que pensa sobre as atitudes da amiga. É claro que Emma não gosta nem um pouco dos sermões que recebe do sr. Knightley, mas, no fundo, sempre reconhece que ele tem razão.

"A vaidade trabalhando em um mente fraca produz muitos tipos de danos." (AUSTEN, 2015, p. 346)

Mas a grande reviravolta da estória - porque nos livros da Jane sempre há aquele plot twist sensacional - não é relacionada nem a Emma, nem Harriet, mas sim, a dois outros personagens, que não vou citar nomes para não estragar a surpresa. E, claro, livros de Jane Austen sempre terminam em casamento, mas será que Emma se casará? Só lendo vocês saberão!

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É comum, percebo agora que já li quase todos os romances de Jane Austen, alguns elementos se repetirem em suas estórias. Um deles, é um personagem, geralmente masculino, cuja personalidade engana a todos e que, ao final da trama, se mostra mau-caráter e, até mesmo, cafajeste. Digamos que em Emma, temos uma amostra dessa fórmula da Jane, com uma pequena variação. Além disso, outro aspecto recorrente que eu percebi é que os finais dessa autora sempre me parecem apressados, como se fosse o menos importante. Vejo que há muita descrição durante toda a narrativa, mas, quando chega ao final e a mocinha finalmente fica junto do mocinho, tudo é resolvido às pressas e o leitor fica com um gostinho de quero mais enorme! Mas é claro que isso não diminui nem um pouco o meu apreço pelas obras Austenianas. 

Por fim, apesar de ter achado Emma uma protagonista não tão carismática quanto as outras, admiro profundamente a crítica que Jane fez nesse romance, mostrando o quanto as pessoas podem se enganar avaliando os outros apenas pela posição social e pela análise superficial da personalidade alheia. Emma é tão crente que conhece as pessoas que a cercam, que comete os erros mais primários. Ela julga conhecer o pensamento dos outros com base no pensamento dela própria e é aí que todas as confusões se iniciam.

Essa foto é antiga, mas eu amo.

"Com uma imperdoável vaidade, acreditara ser capaz de desvendar os sentimentos dos outros! Com uma irremissível arrogância, propusera-se a criar o destino dos outros!"(AUSTEN, 2015, p. 567)

Recomendo a leitura de Emma para aqueles que já conhecem e apreciam o estilo de Jane Austen. Não é nem de longe um romance tão fluido e animado quanto Orgulho&Preconceito ou Persuasão. Por isso, se você ainda não leu nenhum livro da autora, recomendo começar por outro que não esse.

Beijinhos, Hel.

AUSTEN, Jane. Mansfield Park, Emma, A abadia de Northanger. (Tradução e notas de Alda Porto, Adriana Sales Zardini e Roberto Leal Ferreira). Edição especial. São Paulo: Martin Claret, 2015. 768 p.

Mansfield Park - Jane Austen

“Pois o tempo sempre se impõe entre os planos e as decisões dos mortais, para seu próprio aprendizado e entretenimento dos próximos.” (Austen, p. 302).


Tudo começa quando Fanny Price, aos dez anos, é retirada de seu lar pobre e de seus pais que já tinham muitos outros filhos para cuidar e é levada para Mansfield Park, para ficar sob os cuidados dos tios Sir Tomas Bertram e Lady Bertram, para que cuidassem de sua educação e pudessem dar uma vida melhor para a menina. Contudo, ela servia como uma espécie de empregada para as pessoas da casa e também de chacota para as primas, srta. Maria e Julia Bertram, que eram infinitamente mais ricas e bonitas que Fanny. Ela só encontrava refúgio e consolo no primo Edmund Bertram, que era o único que se importava com ela, sentimento que, com o tempo, acabou se transformando num amor incondicional.
Tom Bertram, o irmão mais velho e herdeiro da propriedade, é totalmente irresponsável e inconsequente, deixando a responsabilidade toda a cargo de Edmund que, sabendo que não herdará muita coisa, portanto, se ordena clérigo – que pelo que entendi é uma espécie de padre – para garantir uma vida confortável e, ao mesmo tempo, fazer o que gosta.
Com o passar do tempo, Fanny cresceu e chegou aos seus dezoito anos, tão bonita e educada quanto as primas, embora ninguém desse a mínima importância para ela.


Certo dia, chega à vizinhança os irmãos Henry e Mary Crawford, e logo fazem amizade com as moças da família Bertram. Edmund acaba se apaixonando por Mary, já Henry flerta com as duas irmãs Bertram ao mesmo tempo, mesmo que Maria, a mais velha, já esteja noiva. Fanny, apesar de tímida, não tem nada de ingênua, e começa a perceber o mal que tais influências poderiam causar em Mansfield Park, enquanto Edmund, cego de amor pela srta. Crawford, não enxerga isso muito bem.
Após devastar os corações das irmãs Bertram, Henry resolve, então, que é chegada a hora de conquistar Fanny:

"Mas não posso satisfazer-me sem Fanny Price, sem abrir uma pequena brecha em seu coração." (Austen, p. 149).

Que cafajeste, não? Todavia, Fanny não se engana com seus galanteios e se mantém firme na decisão de não estimulá-lo a continua-los, embora Henry se mantivesse insistente:

"Estava apaixonado, muito apaixonado; e essa paixão, agindo sobre um espírito  vivaz, confiante, mais ardente do que delicado, duplicava a importância do amor que ela lhe negava." (Auten, p. 209).

Por outro lado, Edmund sofria por Mary Crawford que, ambiciosa e calculista, recuava diante das investidas dele, já que ele era o irmão mais novo e jamais seria dono de grande fortuna, apesar de ela assumir que o amava. 
Fanny percebia tudo isso com grande tristeza, e parecia que só ela enxergava a verdade. Mas como dizem por aí: Um dia as máscaras caem!

Como será que terminam esses romances complicados? Será que Fanny aceitará a proposta de Henry ou será que todos perceberão quem são os irmãos Crawford, afinal? Será que Edmund se conscientizará do amor da prima? 


***
Ao contrário do que eu esperava, Fanny não é uma heroína como Lizzie Bennet, forte e corajosa, pelo contrário, ela é tímida e frágil e sempre se submete às vontades das outras pessoas em detrimento das próprias. Ela é uma espécie de Gata Borralheira, sempre privada das diversões e colocada para fazer as tarefas que ninguém quer fazer, privada dos bailes e dos passeios. Sofre sem poder reclamar. Com o decorrer da estória, podemos perceber o amadurecimento da protagonista e o modo como ela começa a atrair a atenção das pessoas à sua volta.


A trama e o enredo seguem aquele estilo já consagrado de Jane Austen: os personagens são muito bem construídos de modo que se parecem muito reais, as cenas são tão bem ambientadas que tem-se a sensação de estar junto com os personagens e os acontecimentos são tão surpreendentes que é impossível parar de ler sem querer saber qual será o destino de cada personagem!
Como também não pode faltar, Jane Austen faz algumas críticas sociais, como o casamento sem amor e por interesse financeiro, no caso de Maria Bertram, entre outras alfinetadas que a autora muito astutamente dá durante a narrativa.
Nesse romance, percebe-se uma Jane Austen mais madura, com uma estória mais detalhada e focada principalmente nas relações das pessoas com a sociedade da época do que no romance em si. Ao ler Mansfield Park, não espere encontrar um casal apaixonante como Lizzie Bennet e Mr. Darcy, aqui, o foco é outro e o romance fica como pano de fundo para a mensagem que a autora quer passar.
Apesar de ter demorado muuuito para terminar esse livro, ao final da leitura achei que valeu a pena. De início, achei a narrativa meio arrastada, mas depois, percebi que cada informação contida era importante para o desfecho da estória. 

“Que ninguém tenha a presunção de traduzir os sentimentos de uma moça ao receber a certeza de um amor o qual mal se permitia alimentar uma esperança.” (Austen, p. 302).

AUSTEN, Jane. Mansfield Park. Edição especial. São Paulo: Matin Claret. 2015. 768 p.

Review: Mansfield Park; Emma e A abadia de Northanger - editora Martin Claret

Olá, leitores. Hoje, mostrarei a vocês os detalhes desse livro que é lindo de morrer. Sério, quase infartei quando o ganhei de presente. Essa edição contém três romances da rainha Jane Austen: Mansfield Park; Emma e A abadia de Northanger. A capa é dura com detalhes em baixo relevo na cor dourada - puro glamour. O nome dos títulos e o nome da autora são em baixo relevo também:


A contra capa contém os títulos que estão contidos na edição:


A lombada, assim como a contra capa, também informa os livros que fazem parte da edição:


Aí você abre o livro e... TCHÃRÃÃÃMMM! Na folha de guarda, encontra esse padrão de florezinhas lindinho e até um espacinho para escrever o nome do dono do livro:


Além de uma fitinha de cetim azul muito gracinha para marcar onde parou a leitura. Por se tratar de uma edição de capa dura, as páginas são costuradas:


Apresentação da edição:


Vamos aos romances. Antes de tudo, há um sumário em que o leitor pode se situar em qual página começa determinada estória. Cada romance é precedido pelo título, mais o nome do(s) tradutor(es) e uma linda ilustração:


 Minha leitura atual, Mansfield Park:


E a ilustração em preto e branco. Essa é de Mansfield Park: 


Sobre a diagramação: as páginas são amareladas, eu gosto muito, pois páginas brancas doem meus olhos e durante a noite fica impossível ler. A fonte é que eu achei um pouco pequena, o que acaba embaralhando as letras quando eu fico por muito tempo lendo, mas... Eu entendo que se a fonte fosse maior, essa edição que já é um calhamaço ficaria maior ainda. A mesma consideração vale para o espaçamento entre as linhas, que é um pouco pequeno. O livro é bem pesadinho, carregar na bolsa ou na mochila pode dar dores nas costas, então, esse é um livro que vou ler nas férias, para não precisar ficar carregando de um lado para outro :) .


Aqui e na foto acima, dá para perceber os detalhes da fonte e da cor das páginas:


E por fim, como não poderia deixar de ser, há uma nova participação felina, a Felícia:


Gostaram dessa linda edição da Martin Claret? Eu, como Janeite assumida, AMEI de coração. É sempre maravilhoso quando encontramos aquela edição linda do livro que gostamos e que sabemos que vamos ler, reler, re-reler... Enfim, pretendo comprar a edição cor-de-rosa, que contém Orgulho&Preconceito, Persuasão e Razão&Sensibilidade, por mais que eu já tenha lido os dois primeiros e tenha uma edição de bolso de Persuasão em casa, porque essas edições da Martin Claret são simplesmente IRRESISTÍVEIS!

Beijinhos, Hel.

AUSTEN, Jane. Mansfield Park, Emma, A abadia de Northanger. Edição especial. São Paulo: Martin Claret. 2015. 768 p.