Querer amar - Rose Andrade

Olá, leitores. Tudo bem?

Trago, hoje, meu comentário sobre uma leitura um pouco diferente das que faço: Querer amar da brasileira Rose Andrade. Em minha ânsia de variar as leituras e, na mesma ocasião, prestigiar a nossa literatura contemporânea, dei uma chance para essa leitura que não costuma me atrair e que foi gentilmente enviada pela editora parceira Novo Século. A capa é linda, mas o restante dos aspectos... foi uma tremenda decepção.

O enredo é simples e promissor: Lize é a protagonista, uma médica de 28 anos que é noiva de Thomas, um empresário. Eles têm um relacionamento amigável, mas não são fervorosamente apaixonados, isso fica claro. Até que, no dia do noivado, Lize conhece o irmão de Thomas, Richer, e tudo muda. Ela se apaixona perdidamente pelo irmão do noivo e Richer também se apaixona por Lize. Diante da paixão que os une, eles lutam para não caírem em tentação. Richer por medo de trair o irmão, sangue do seu sangue, e Lize para não trair o noivo, que sempre foi gentil e atencioso com ela. A partir daí, se desenrola o enredo de Querer amar, fazendo com que a dúvida de se Lize ficará com Thomas ou com Richer leve a leitura adiante.

"Lize fitou-o nos olhos e depois, com ternura, acariciou o rosto de Thomas.  Ele era tão doce, tão perfeito, fazia de tudo para agradá-la.  E ela era incapaz de lhe retribuir os sentimentos na mesma proporção. Sentiu-se péssima. Muito egoísta. Absorta demais nas próprias loucuras momentâneas." (ANDRADE, 2016, p. 139)

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Apesar de eu ser suspeita para julgar esse gênero (afinal, seria esse livro um chick-lit? Um young adult?) acredito que a autora foi infeliz na execução do enredo desse livro. Primeiro, pelo fato de haver pouco aprofundamento nas personagens. Digo isso porque ela faz uso de clichês pouco convincentes: Lize é linda, loira, magra, rica e PURA! Sim, aos 28 anos ela ainda é virgem, pois é uma "moça de família" que se dedicou única e exclusivamente à Medicina. Porém, todo a descrição feita da personagem é para reforçar o quanto a roupa que está vestindo é sexy, o quanto ela é sensual e, em último caso, perfeita. Fica um pouco contraditório todo esse apelo para a imagem sexy dela sendo que ela é virgem. Sinceramente, me dá preguiça esse tipo de protagonista, aquela que todos caem de amores, amada e adorada por onde vai e correta o tempo todo. Não havia necessidade de ser assim. Já os irmãos que fazem parte do triângulo são igualmente rasos e estereotipados. Thomas é o homem de negócios, sempre ocupado e que agrada a noiva com presentes caros, mas também é possessivo e quer controlar a vida da noiva. Já Richer é o típico garanhão que tenta dominar as mulheres. Sem deixar de falar que todos na estória são lindos, ricos, magros, elegantes. Acredito que é fácil apelar para o imaginário dos leitores quando só se trabalha com perfeição e não se aprofunda o perfil psicológico dos personagens.

Uma coisa que ficou a desejar, e muito, foi a ambientação e elaboração dos personagens. Não sabemos sequer qual o nome da cidade onde a estória acontece, qual o sobrenome dos personagens e no caso de suas profissões: qual a especialidade médica de Lize? Que tipo de empresário Thomas é? Lize não tem amigas? Nunca teve namorados antes de Thomas? Essas perguntas surgiram em minha cabeça durante a leitura e eu me senti como se tivesse caído num recorte da vida de Lize, e é como se a vida dela não tivesse existido antes de a estória do livro começar.

Foquem no Lionel 😄

Outro ponto que não me agradou foi a linguagem, simplória demais. Pareceu-me que a autora só foi procurando palavras "chiques" e jogando no meio das falas para ficar mais "bonito". Também havia tantos adjetivos desnecessários como "brilho lascivo", "carícia pecaminosa", "desejos mais primitivos", que soavam muito como a linguagem usada naqueles livros eróticos de banca de revista. Além disso, não parecia que eu estava lendo um livro escrito originalmente em português, não havia expressões comuns da fala, nem termos regionais, o que quer que fosse que deixasse os personagens mais humanos. Eu em senti lendo uma versão adulta dos filmes da Barbie.

A narrativa, por último, foi o que, a meu ver, estragou uma estória que poderia ser boa. Talvez pelo fato de a autora não ser desse mundo das Letras (na orelha do livro o leitor fica sabendo que ela é das exatas) ela não tenha conseguido desenvolver melhor esse aspecto. O que acontece é que só há um desenrolar dos acontecimentos, sem uma ambientação. Embora o narrador seja onisciente em terceira pessoa, há muitas falas e pouco sabemos dos pensamentos dos personagens, o que poderia ter sido melhor explorado devido ao estilo de narrador que ela escolheu. A estória só foi acontecendo sem grandes reviravoltas, sem emocionar o leitor, até chegar num final forçado e pouco convincente.

Enfim, foi uma leitura muito rápida, que li de um dia pro outro, mas pelo simples fato de ser um livro fácil de ler, que não requer muito conhecimento linguístico nem reflexão do leitor. Se vocês querem um livro para passar o tempo e se distrair, essa é uma leitura adequada.

Beijinhos, Hel.

ANDRADE, Rose. Querer amar. São Paulo: Novo Século, 2016. 204 p.

Má feminista - Roxane Gay

Má feminista é um livro que, apesar do que o título pode sugerir, não trata somente do feminismo, como também, de diversos temas que envolvem as mulheres e a sua representação na sociedade, literatura, mídia etc.. Esse hibridismo é a característica mais forte do livro, pois, pelo prisma do feminismo, Gay consegue apontar diversos outros temas que diretamente se relacionam a ele, nos guiando por exemplos. Estes exemplos que a autora traz, para mim, são a parte mais interessante do texto todo, sendo que ela usa séries como Girls, Law&Order: SVU, livros como Garota exemplar, a trilogia Jogos Vorazes e Cinquenta tons de cinza, além de diversos outros produtos culturais para mostrar como a mulher vem sendo representada na atualidade. Além de tudo isso, os ensaios são muito intimistas, pois, ao longo do livro, Gay, enquanto mulher negra e imigrante haitiana morando nos EUA, relata momentos da vida dela (como o estupro que ela foi vítima na adolescência e o preconceito que sofreu na universidade) para mostrar a relação dela com o feminismo.


O livro é dividido em seções, sendo elas: Eu; Gênero e sexualidade; Raça e entretenimento; Política, gênero e raça e De volta ao meu eu. Cada seção traz diversos ensaios relacionados e discussões muito pertinentes.
Na primeira seção, então, Gay vai falar sobre a relação que ela tem com o feminismo, porque se considera uma má feminista e como ela vê o movimento:

"Na verdade, justifica-se a imperfeição do feminismo por ele ser um movimento alimentado por pessoas, e estas são inerentemente imperfeitas. [...] Adoto abertamente o rótulo de má feminista. E faço isso porque sou imperfeita e humana. Não sou perita em história do feminismo. Também não sou, como gostaria, perita na leitura de textos feministas fundamentais. Tenho alguns... interesses, peculiaridades de personalidade e opiniões que podem não se alinhar com o feminismo tradicional, mas, mesmo assim, ainda sou uma feminista.." (p. 8)

Na seção Gênero e sexualidade, a autora fala sobre a representação da mulher na mídia e como isso tem nos prejudicado, ela também questiona a falta de representatividade não só da mulher, como também da mulher negra e fora dos padrões estéticos.

"Existem poucas oportunidades para as pessoas de cor se reconhecerem na literatura, no teatro, na televisão e no cinema." (p. 64)

Um termo que eu não conhecia e que a autora apresenta no texto é o termo "negro mágico", em inglês magical negro. Esse termo é designado para um personagem negro que aparece na trama só para salvar a pele do branco, aquele lugar-comum que tantas vezes vimos em filmes. O negro é o que morre primeiro. É o melhor amigo do protagonista branco. O personagem secundário que se sacrifica para o bem maior dos outros (brancos). E por aí vai. Esse artifício é usado tantas vezes que não é de se assombrar que já tenha um termo para designá-lo. E o que é mais triste é que até hoje isso ainda é usado. Enquanto eu lia essa parte do livro, consegui lembrar de pelo menos três filmes/séries em que esse personagem aparece.

Sem falar na representação da mulher: sexista, objetificada. A autora vai trazer, em sua análise, algumas protagonistas mulheres que fogem desse padrão, como é o caso de Amy, do livro Garota exemplar, ela é representada como uma mulher desagradável, vingativa, que foge do estereótipo de que as mulheres PRECISAM ser amáveis e aturar as traições de seus maridos. É um verdadeiro tapa na cara da sociedade. A escritora de Garota exemplar traz uma personagem humana. E Gay traz à tona o fato de que anti heróis são muito mais aceitos pela sociedade e pela crítica do que as anti heroínas. Enfim, esses são alguns exemplos que Gay traz e que comprovam como as mulheres e os negros têm sido usados para apagar seu protagonismo na mídia. Afinal de contas, você não vai poder dizer que determinado filme ou livro não tem uma mulher ou um negro no elenco, eles estão lá sim!
Algo que a Julya me falou, enquanto discutíamos essa questão, é que, aqui no Brasil, é fácil perceber que as novelas que concentram maior número de negros em seus elencos são aquelas em que o enredo envolve ou o período da escravidão no Brasil, ou o contexto das favelas. Diante disso eu não preciso falar mais nada, não é?

Na seção Raça e entretenimento, a autora fala mais pontualmente de alguns filmes com personagens negros os quais ela assistiu e como ela se decepcionou. Histórias cruzadas (2011), Django livre (2012) e 12 anos de escravidão (2013) são filmes que, apesar das premissas terem se mostrado inovadoras para ela, foram uma decepção. Apesar de os filmes em questão serem protagonizados ou focados em negros, eles continuam reforçando aquela velha ideia de que os brancos é que salvam os negros no final, além de usarem do sofrimento dos negros (físico e emocional) para atingir o "coração do público", realçando cenas em que os negros sofrem, são humilhados, agredidos, para Gay, isso é sofrimento demais e ela já está cansada disso. Eu imagino.

Há também a discussão sobre "cultura do estupro" e sobre como o estupro vem sendo representado nos livros, jornais, televisão etc. erroneamente. Para ilustrar essa afirmação, a autora cita o caso de uma menina de onze anos estuprada por dezoito homens no Texas (um estupro coletivo, vejamos, isso aconteceu há pouco tempo no Brasil) e como um artigo do The New York Times tratou do assunto: preocupado com a cidade, cujos moradores nunca mais seriam os mesmos e, pasmem, os dezoito rapazes também nunca mais seriam os mesmos. É sério isso? Não sei porque eu fico surpresa. E a vítima onde fica?

"Houve discussão sobre o fato de a menina de onze anos, a criança, vestir-se como se tivesse vinte, deixando implícita a possibilidade de que uma mulher possa "pedir por isso" e também de que, de alguma forma, é compreensível que dezoito homens estuprem uma menina." (p. 132)

Eu, na minha ignorante concepção de mundo, achava que discussões como a da cultura do estupro existissem somente no Brasil. Ledo engano. Nós, mulheres, não estamos seguras em parte alguma. A autora sugere, inclusive, que troquemos o termo por "Cultura de estupradores", pois quem sabe, assim, as pessoas tenham uma ideia mais clara da dimensão do problema.

Enfim, posso dizer que os temas que a autora traz são de extrema importância e precisam ser discutidos o quanto antes. Pois é visível que ser mulher, apesar dos avanços que foram feitos em relação à igualdade de gênero, ainda é muito perigoso. Enquanto a mídia continuar objetificando-nos e tratando casos de estupro com trivialidade, induzindo-nos a pensar que a vítima é a culpada, nada disso vai mudar.

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Fiquei muito presa a essa leitura, não posso negar, pois, assim como a Roxane Gay, também me considero uma má feminista, logo, tenho tentado cada vez mais me aprofundar para entender o movimento feminista. Posso dizer que essa leitura me abriu os olhos para muitas coisas e me fez aumentar minha empatia em relação às mulheres negras, já que pude ler o relato de uma, a própria autora. Isso me lembra a sororidade .

Antes de terminar, preciso fazer um pequeno comentário à edição. Encontrei alguns erros de revisão, oito, para ser mais exata, erros de descuido mesmo, nada em relação à grafia. Outra coisa que me incomodou foi a tradução. Às vezes, eu sentia que aquilo não tava bem traduzido, dava para saber certinho o que estava escrito no original, porque não soava como português, em alguns momentos dava para sentir que a sintaxe e a prosódia eram do inglês. Eu imagino que a estilística da autora, no original, fosse algo que beirasse o linguajar jovem, com gírias e muitas expressões da língua inglesa, por isso, eu imagino que para a tradutora deve ter sido muito difícil traduzir esse livro, já que, se ela optasse por uma adaptação cultural... Não, ela nem deveria cogitar a ideia de tradução por adaptação cultural. Enfim, foi por esses dois motivos que eu dei 4 estrelas ao livro no Skoob, que são referentes à edição e não à obra. Agora vou parar porque meu pequeno comentário já está tão grande quanto um dos volumes de As crônicas de gelo e fogo, haha.


Beijinhos, Hel.

GAY, Roxane. Má feminista: ensaios provocativos de uma ativista desastrosa. 1ª ed. São Paulo: Novo Século Editora. 2016. 312 p. Tradução de Tássia Carvalho.

Carry on: ascensão e queda de Simon Snow - Rainbow Rowell

A MAGIA NOS SEPARA DO MUNDO; NÃO PERMITAM QUE NADA NOS SEPARE UNS DOS OUTROS.


Olá, leitores e leitoras! 
Hoje eu vou falar sobre Carry on, esse livro incrível que me surpreendeu positivamente. Tenho que contar, primeiramente, como esse livro veio parar nas minhas mãos. Que o Leituras&Gatices é parceiro da Novo Século, isso vocês já sabem, pulemos para a parte que interessa. Eu como leitora e bookaholic, vivo fuçando as redes sociais das editoras, principalmente os comentários de outros leitores, para ver o que "a galera" está lendo, já que eu costumo ler livros, digamos, clássicos, e acabo, assim, ficando meio por fora dos lançamentos de autores contemporâneos chegou a pessoa que só lê livro de gente morta. Lendo os comentários no Instagram da Novo Século, eu me deparei com váááários comentários do tipo "Por favor, quando é que vocês vão lançar Carry on? Nunca te pedi nada" ou "Quando Carry on chega no Brasil?" e muitos outros comentários semelhantes. Aí eu pensei "Nossa, essa autora deve ser muito boa!". Recentemente, a Novo Século anunciou que estava preparando o lançamento de Carry on, e eu "O.K.". Aí a editora mandou um convite para os parceiros lerem "antes de todo mundo" o livro em questão e eu pensei "Por que não dar uma chance e ver o que essa tal Rainbow Rowell tem de especial". Mas aí, quando fui pesquisar sobre o livro, percebi que os personagens de Carry on são, na verdade, personagens fictícios dentro de outra estória da autora, Fangirl. Então, eu pensei que não entenderia muito bem a estória, mas não, isso não aconteceu! Logo, para aqueles que não leram Fangirl e querem ler Carry on, fiquem tranquilos!
Afinal, do que se trata Carry on?

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Simon Snow é o protagonista, um bruxo poderosíssimo que foi profetizado como o salvador, aquele que vai salvar todo o mundo mágico do vilão Insipidium, que está sugando a magia de alguns lugares e deixando os seres mágicos com medo de perderem sua magia para sempre. Porém, Simon está longe de se achar um herói, a verdade é que ele tem tanto poder que sequer consegue controlá-lo, e sempre que tenta fazer alguma magia acaba destruindo - ou matando - alguma coisa. Um desastre. Ele tem ao seu lado a amiga Penélope, ou Penny, uma bruxa muito poderosa e inteligente, e a namorada Agatha, que eu achei uma chata e mimada. A estória já começa no último ano de Simon e seus amigos em Watford, a escola de magia, em um cenário de guerra: as famílias antigas versus o Mago, diretor de Watford e protetor de Simon. As famílias antigas acreditam que o Mago esteja planejando algo ruim e que esteja por trás dos ataques do Insipidium ao mundo mágico. Além disso, há também as questões hierárquicas entre os seres mágicos, já que os bruxos são mais poderosos que as fadas, trolls, vampiros etc., e têm um conceito, digamos, elevados de si mesmos em relação aos outros. Tudo isso dá à narrativa um tom de tensão.

Para piorar as coisas, Baz, o odiado colega de quarto de Simon desapareceu, e Simon teme que ele esteja planejando algo para matá-lo, já que tem uma teoria de que Baz seja um vampiro (os bruxos odeiam vampiros) e tenta alertar os outros disso. Os dois são inimigos declarados, e Baz faz de tudo para atormentar a vida de Simon, são feito gato e rato desde o primeiro ano em Watford, porém, no último ano tudo muda e eles, que até eram então inimigos mortais, precisam se unir em nome de algo maior e deixar o passado de lado.

"Mas provavelmente vou ter que matá-lo algum dia, e nós dois sabemos disso."

E é aí que surge um casal que me conquistou: Simon e Baz! (Ué, Hel, mas o Simon não tinha uma namorada, como assim?) Olha, eu só posso dizer que esse casal é muito carismático e a partir da metade do livro é de não querer largar mais! Não só pelo romance que se desenvolve, mas também por toda a trama de conspirações e os segredos que vão sendo revelados a cada capítulo. Os capítulos! Não poderia deixar de mencionar, são capítulos de ponto de vista. Eu já falei que eu amo capítulos de ponto de vista?

Carry on foi a primeira estória que li no Kindle 

Não tem como começar a ler Carry on sem achar parecido com Harry Potter: a magia, o escolhido, um supervilão, a amiga inteligente que livra o protagonista das enrascadas, um diretor que protege o menino escolhido e por aí vai. As semelhanças são bem fortes no começo da estória, porém, param por aí, a partir do momento em que o Draco, ops, o Baz, se declara gay e completamente apaixonado por Simon. (Esse romance me fez lembrar da época da escola, quando estava apaixonada por algum menininho e o ficava irritando para chamar atenção). Tem coisa mais fofa? É assim o romance entre Simon e Baz!

"Eu vou morrer beijando Simon Snow."

Ler essa estória me fez voltar a ser uma fangirl (referência não proposital) de livros de fantasia, assim como eu era na adolescência com Harry Potter e Crepúsculo. Tá, eu sei que já sou um pouco velhinha para isso. Mas a verdade é que a Rainbow me conquistou com os personagens dessa estória, exceto a Agatha.
Simon e Baz, na arte da capa de Fangirl, também publicado pela Novo Século.

Mas, claro, nenhum livro é perfeito. Esse não foge à regra. Rainbow criou uma estória com um universo complexo e muitos personagens que acabaram por não ter tanto destaque e, apesar das 448 páginas, acho que o livro poderia ter sido estendido para mais um livro para que a estória fosse melhor explorada. (Mas Hel, não é você que é defensora dos livros únicos?) Sim. E não. Quando um livro é transformado em saga, mas é uma enrolação sem limites, eu não acho legal. Mas quando a estória é boa e você sente que algumas pontas ficaram soltas ou mal conectadas, acho que sim, poderia haver um prolongamento da estória. Personagens como o Mago e o núcleo dos vampiros ficaram, a meu ver, pouco desenvolvidos. Enfim, acho que eu gostei tanto de Carry on que fiquei querendo mais, talvez seja só isso.

Eu indico fortemente essa leitura para fãs de fantasia e para quem gosta de estórias que envolvam magia, seres mágicos, feitiços, amizade e romance.

Não posso deixar de falar que o post de hoje foi feito devido ao Dia internacional do orgulho gay, para deixar bem claro que toda forma de amor é válida, inclusive na literatura. 

Beijinhos de arco-íris da Hel.

ROWELL, Rainbow. Carry on: ascensão e queda de Simon Snow. 1ª ed. São Paulo: Novo Século, 2016. 448 p. Tradução de Marcia Men.

A árvore da mentira - Frances Hardinge

Olá, leitores!
Meu nome é Julya, eu sou a nova colaboradora da Helena aqui no Leituras&Gatices e gostaria de começar com uma questão: Vocês já mentiram?
Talvez essa pergunta seja retórica, todos mentem. E existem razões para mentirmos: comodidade, boa vontade, mentir por mentir. Mas já pensou no poder que as mentiras têm? Afinal, por meio de uma mentira, pode-se dar confiança a alguém, ou destruí-la emocionalmente, pode-se ajudar ou prejudicar.

A mentira é como uma fogueira, Faith estava aprendendo. Primeiro precisa ser nutrida e alimentada, mas com cuidado e gentileza. Um sopro delicado atiçaria as chamas recém-nascidas, mas uma baforada vigorosa demais as apagaria. Algumas mentiras ganham corpo e se espalham, crepitando de empolgação, e não precisam mais ser alimentadas. Mas então estas não são mais as suas mentiras. Têm vida e forma próprias, e não há como controlá-las. (HARDINGE, p. 205, 2016)

De certa forma, parece estranho começar a resenha assim. Contudo, essas pequenas questões, presentes no parágrafo acima, surgiram durante a leitura de A árvore da mentira. O livro, escrito por Frances Hardinge, traz o poder que uma mentira tem, seja a que contamos para os outros ou para nós mesmos.

A editora enviou, além do livro, marcadores, uma carta misteriosa e uma semente.

Na história, com a promessa de novas descobertas e de fugir de um escândalo, o reverendo Eramus Suddenly leva sua família – sua esposa Myrtle, sua filha Faith e seu filho Howard e o cunhado - para Vane, uma remota ilha na Inglaterra. Lá, a família causa antipatia nos habitantes, tornando a vivência extremamente difícil. E tudo isso se intensifica com a morte do patriarca da família.
Primeiramente, gostaria de falar dos personagens. Uma que me impressionou foi a Faith, a protagonista. A forma como ela é desenvolvida é muito interessante, pois ela consegue ser manipuladora e ingênua ao mesmo tempo. Ademais, é uma personagem fácil de se identificar, devido a sua relação com a família. Ela é a única filha mulher, num século em que ser mulher não tinha valor algum. Por isso, ela era menosprezada e ignorada pelo pai, e, em alguns momentos, tratada como empregada pela mãe.

Aberrações da natureza, dizia o rótulo central.E é isso que eu sou, pensou Faith, sentindo enjoo. Um cérebro pequeno de mulher com coisa de mais enfiada dentro. Talvez seja esse o meu problema. [...]. (HARDINGE, p. 52, 2016).

Ela deseja ter uma relação real com pai, devido ao seu amor pela ciência e a necessidade, por assim dizer, de ser reconhecida como um ser inteligente. Por isso, com a morte do pai, ela acredita ser responsável por encontrar os assassinos, embora o livro não deixe claro se as circunstâncias do falecimento apontam para um assassinato. E no meio das pesquisas, ela descobre a árvore da mentira.
A planta possui propriedades míticas, pois se alimenta de mentiras e é capaz de produzir frutos que permitem descobrir segredos alheios. Faith cria uma relação de amizade e proteção com a árvore, quase como se estivesse transferindo o amor do pai para a planta. Entretanto, embora seja o titulo do livro, a árvore tem uma função de ferramenta usada pela protagonista, e não o elemento principal. Então, se espera uma historia mítica, lamento, mas esse não é o foco do livro, mas sim o crescimento psicológico e emocional de Faith. E isso é visível nos momentos após o encontro com a árvore.


E é nesse momento que mostra-se quão manipuladora ela é. Ela começa a contar mentiras, construindo histórias, que afetarão a cidade inteira. Confesso que no começo achei pouco crível uma adolescente de catorze anos ter tamanha perspicácia acerca da mente humana, mas, novamente, a maneira como ela vai sendo desenvolvida torna essa característica possível e, até, lógica. Isso deve-se a forma como a ingenuidade da protagonista é apresentada, pois, embora consiga manipular, ela tem dificuldade de entender aspectos da sociedade na qual ela está inserida. Um exemplo disso é ela não entender os riscos para a família caso o pai seja declarado um suicida. Isso porque, antigamente – no livro não fica claro o século em que a história se passa -, quando alguém se matava, o indivíduo não poderia ser enterrado no cemitério, por ser solo sagrado, e os parentes não receberiam a herança.
Esse é outro ponto positivo, a adequação histórica. Percebe-se que a autora realmente se importou em trazer algo verossímil, pois ela apresenta a teoria de que o tamanho do crânio tem relação com a inteligência das pessoas, e que muitas vezes, era utilizada para “diminuir” as mulheres, por exemplo. Ademais, ela apresenta um personagem canhoto e como isso era tratado.
Por fim, posso concluir que adorei o livro. Os personagens são interessantes e o jeito como descobrimos o que realmente aconteceu com o reverendo Suddenly é surpreendente (eu, pelo menos, fiquei chocada). Além disso, a escrita da autora é fluída e gostosa de ler, do tipo que não se consegue largar depois que começou. E eu, com certeza, gostaria de ler mais livros da Frances Hardinge.
Espero que tenham gostado dessa resenha, pois é minha primeira aqui no blog, então comentem o que acharam, se já leram o livro e se gostaram ou não.
Tchau e até a próxima.


HARDINGE, Frances. A árvore da mentira. 1ª ed. Barueri: Novo século, 2016. 304 p. Tradução de Caio Pereira.

Novidade da Novo Século Editora - Demolidor: o homem sem medo

O Homem Sem Medo é a mais nova estrela da Série Marvel.

A adaptação da célebre HQ criada por Frank Miller e John Romita Jr. é a mais nova aquisição da Novo Século Editora.


Quem acompanha a Novo Século com certeza pira com a parceria que eles vêm fazendo com as estórias do universo Marvel. A editora já lançou nove títulos desse universo até o momento, e possui mais quatro programados para serem lançados até o final deste ano.
A novidade de hoje é que Novo Século acaba de acrescentar à lista mais uma adaptação de um clássico dos quadrinhos, “Demolidor: o homem sem medo”. Originalmente lançada em 1993, com roteiro de Frank Miller e ilustrações de John Romita Jr., a história conta a origem do herói e serviu como base para o roteiro da série de sucesso da Netflix, Demolidor. O responsável por transportar a história de Matt Murdock para as páginas do livro é o premiado autor Paul Crilley.

Com previsão de lançamento nos EUA para julho de 2016, a tradução chegará ao Brasil em 2017.

SINOPSE: Um pai cheio de culpa. Um mentor rigoroso. Uma paixão. O que motiva o Homem Sem Medo? Matt Murdock foi criado por um pai solteiro, um boxeador decadente que teve uma chance de fazer o certo – uma chance que lhe custou a própria vida. Insultado e atormentado por outras crianças, a vida de Matt é drasticamente alterada depois de ficar cego por conta do contato com materiais radioativos enquanto salvava a vida de um homem idoso. A recompensa? Uma ânsia inabalável por justiça e uma inteligência aguçada. Sua história é de amor, dor, desapontamentos e força. Testemunhe as estranhas maquinações por trás da vida de um dos heróis mais amados da Marvel nesta adaptação inédita dos quadrinhos de Frank Miller e John Romita Jr.

Ansiosos por esse lançamento? Quem curte estórias de super heróis?
Continuem acompanhando o Leituras&Gatices para saber de todas as novidades da Novo Século Editora!

Beijinhos, Hel.