Uma vida entre os livros

Olá, leitoras e leitores! Eu sei que hoje é segunda-feira e eu deveria estar postando uma resenha, mas eu preciso me desculpar e dizer que eu tentei! Manter a frequência de postar uma resenha por semana é complicado quando se administra um blog sozinha, ainda mais pelo fato de eu estar muito atarefada com os compromissos da universidade e dos projetos de extensão dos quais eu faço parte, e mal ter tempo de ler livros que não sejam os teóricos e artigos científicos. Por isso, hoje não terá resenha, mas prometo que semana que vem tudo volta ao normal.
Na tentativa de um pedido de desculpas a vocês, eu resolvi postar um texto que produzi para a disciplina de Escrita Criativa do meu curso, Letras. Trata-se de uma autobiografia, mas não é nada de mais, hein. Como não havia tempo hábil para a produção de um texto mais extenso e elaborado, resolvi focar em apenas dois aspectos da minha vida: a minha paixão por livros e como isso influenciou na escolha da minha profissão. Logo, escrevi sobre como me tornei uma leitora, como o blog tem me feito feliz e como eu sei que esse é o caminho certo para a minha vida! Apreciem o texto e não deixem de me contar o que acharam:

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Uma vida entre os livros

“Vivia nos livros mais que em qualquer outro lugar”
Neil Gaiman em O oceano no fim do caminho

Helena, não a de Troia. Na infância dava aulas para meus bichinhos de pelúcia, hoje, estou quase apta a dar aulas para pessoas. Pessoas! A brincadeira de criança tornou-se profissão. No fundo eu sempre soube que seria professora, pois eu adorava ir à escola e adorava praticamente todas as disciplinas, adorava os professores e me esforçava ao máximo para tirar nota máxima em todas as disciplinas. Eu era uma nerd. E até hoje sou, e não tenho vergonha disso. Pelo contrário, me orgulho muito de levar a educação e a minha formação a sério, uma qualidade que falta em muitas pessoas atualmente.

Quando precisei escolher um curso na universidade, eu não pestanejei: seria Letras. Eu nunca tive dúvidas quanto a isso, sempre foi a única opção. E os motivos eram óbvios: o meu gosto pela leitura – que na época era um amor latente, esporádico, só esperando para florescer.
Assim que comecei o curso de Letras, não imaginava que a minha paixão pela educação e pelo ensino fosse tão grande, acredito que ela tenha crescido em decorrência da minha escolha. Ensinar Literatura e línguas, para mim, de repente se tornou a coisa mais interessante do mundo, algo que eu acho que todos devem ter acesso e, por isso, eu quero ensiná-las.

Concomitantemente ao meu ingresso no curso de Letras, e devido a paixão que adquiri pela Literatura nas disciplinas do curso, acabei criando um blog literário na internet, o que, a meu ver, foi uma das melhores coisas que fiz nos últimos tempos. O objetivo desse meu blog é incentivar a leitura e o gosto pelos mais diversos gêneros narrativos e literários. Foi por meio dos textos e resenhas que escrevia em meu blog que acabei conhecendo muita gente, outros blogs e, por conseguinte, muitos livros que eu nunca tinha ouvido falar. Além de conhecer novos autores, novas editoras e novas formas de pensar a língua e a Literatura. Hoje, não me vejo fazendo outra coisa: quero continuar incentivando a leitura, o gosto pela Literatura.

Foi com o curso de Letras que me apaixonei por Clarice Lispector e todo o seu mistério, foi na biblioteca da universidade que encontrei despretensiosamente uma tal de Jane Austen que é hoje uma das minhas melhores amigas, foi nesse mesmo lugar que conheci o drama e a tragédia de Shakespeare. Foi nessa época que conheci um pequeno Hobbit que mora numa toca no Condado e seus “amigos” anões. Foi me aventurando no cheiro gostoso e milenar dos livros que conheci milhares de outras vidas e pessoas, e quando olho para aqueles livros eu vejo neles amigos, histórias, sentimentos, aventuras. Os livros são meus amigos.

Essa é a minha saga, o caminho que percorri, acompanhada de muitos livros, bichinhos de pelúcia e professores maravilhosos que me transformaram no que sou hoje, uma incentivadora de leitores!

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Foto: arquivo pessoal
Beijinhos, Hel.

(ESM) Tema #11: Um acontecimento especial

Sobre a tal independência...

Foto: Historiar

Talvez não tenha sido exatamente especial, mas ter saído da casa dos meus pais foi triste e feliz ao mesmo tempo, além de muito importante. Como assim, Helena? Triste, pois eu sempre fui muito próxima deles, feliz, pois me descobri mais madura e, principalmente, mais preparada para a vida adulta morando sozinha. Lembro que, na época que saí da casa deles, nos primeiros dias, até semanas, eu chorava e sentia muita falta da minha "casa". Hoje em dia, não vejo mais a casa dos meus pais como minha casa, é só um lugar que visito nos finais de semana. Além do mais, o distanciamento da minha família me mostrou o quanto eu os amo, para vocês terem uma noção, quando eu morava com meus pais, vivia brigando com meu pai e com o meu irmão, hoje em dia, quando nos reunimos, não há espaço para discussões por bobagens, pois queremos aproveitar  o momento presente, em que estamos juntos.

Outra coisa que aconteceu muito importante nesse mesmo período foi a minha entrada na universidade (foi por isso que eu saí da casa dos meus pais). Era um sonho que eu tinha desde muito pequena e que se realizou. Hoje em dia, em comparação com a pessoa que eu era antes de ser acadêmica, eu me vejo como uma pessoa muuuuito diferente. Entrar na universidade me fez ver o mundo de outra maneira, lá, eu conheci gente muito diferente de mim, e isso me fez perder muitos preconceitos, pois, convivendo com pessoas diferentes eu passei a não só respeitá-las, como também a entendê-las. E também conheci muitas ideologias e filosofias de vida que acabei adotando para mim mesma como o feminismo e o vegetarianismo que, de certa forma, me tornaram uma pessoa mais sensível ao próximo. Além de tudo isso, ainda há a certeza de que escolhi o curso certo para minha vida, Letras. O contato com a literatura e com línguas que a graduação tem me proporcionado não afetou somente o modo como eu falo e escrevo, mas também a minha visão do mundo e da sociedade. Como é bom saber que se está na profissão certa!

Talvez, de uma forma ou de outra, eu tivesse amadurecido mesmo sem ter ido à universidade ou saído de casa, mas a verdade é que a intensidade dos impactos de tais acontecimentos, na minha vida, foi muito grande e as mudanças que aconteceram foram muito rápidas. A independência que adquiri não foi só financeira ou pessoal, mas foi uma independência que transcende esses aspectos da vida cotidiana. Sinto que me tornei uma pessoa melhor e que esse foi só o estopim de mudanças ainda maiores, para querer mudar é só começar.

Beijinhos, Hel.

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Text escrito para o tema #11 do Projeto Escrevendo sem medo, idealizado pelo blog Historiar. Na temática para escrita, nesse mês, nós, participantes, vamos escrever sobre algum acontecimento especial que nos tornou pessoas melhores, algo grandioso que mudou nossas perspectivas. Simples assim. Vasculhe suas lembranças e escreva sem medo!

Projeto Escrevendo Sem Medo: Tema #10 Aquilo que eu não suporto

Olá, leitores! Tudo bom?
Hoje é dia de texto do Projeto escrevendo sem medo e o tema sugerido pela Thamiris do blog Historiar foi: aquilo que eu não suporto. Confesso que pensar em um tema para o texto de hoje foi um tanto penoso, tudo que eu pensava algum participante do projeto já tinha escrito ou eu percebia que não teria argumentos suficientes para sustentar meus posicionamentos. Enfim, já estava quase desistindo do projeto, escrevia, apagava, reescrevia... Apagava tudo de novo, e nada de sair um texto que eu achasse decente. Eu não queria abordar um tema que fugisse muito do que posto aqui no blog, mas percebi que isso seria impossível, porque aqui no blog eu falo do que eu mais amo: literatura. 


Pensando nisso, resolvi falar sobre uma coisa que eu sofro na pele, algo que, além de eu não suportar, eu preciso presenciar. Muita gente, inclusive pessoas bem próximas de mim, não sabem ou não desconfiam que eu não acredito em Deus. Sabe esse Deus, da Bíblia, todo poderoso, criador do céu e da Terra? Exatamente. Mas isso não significa que eu seja ateísta, eu só escolhi viver minha vida sem crença religiosa. Isso também não significa que eu acredite piamente na não-existência de um deus, só não acredito nesse Deus do cristianismo, nem do islamismo, nem do budismo, enfim, vocês entendem?
Só que quando eu digo isso a reação das pessoas é sempre muito indagativa: "Você não acredita? Por quê?" Oras, eu por acaso saio perguntando para as pessoas por que elas acreditam? Não. 
Então por que é tão difícil entender a opção que o outro escolheu? Mas até aí, quando as pessoas não entendem o porquê de você ter religião x, y, z - ou até não ter religião nenhuma -, está tudo tranquilo, favorável. O problema surge quando há a INTOLERÂNCIA. Intolerância religiosa é um mal da nossa humanidade, os pagãos eram perseguidos na antiguidade e, hoje em dia, muitas guerras, como as do oriente médio, são causados por divergências religiosas. "Mas, Helena, as religiões todas não pregam o amor e a paz?" Teoricamente, sim. Na prática, vemos pessoas julgando as outras a seu bel prazer simplesmente porque essa outra pessoa é de uma religião diferente. 
Há um tempo atrás, eu me indignei muito com uma notícia que vi circular na mídia; uma menina que saía de um culto de candomblé foi apedrejada - APEDREJADA, vejam bem - por dois homens que seguravam uma Bíblia e proferiam palavras ofensivas a ela e à avó da menina. Gente, eu me pergunto o que essa menina fez para ser agredida? Em pleno século XXI, numa sociedade tão heterogênea, diversificada não só nas crenças, mas nas ideologias, nacionalidades, enfim, multifacetada, ainda existem pessoas que não aceitam as escolhas dos outros e acham que só a religião deles é que é passível da verdade e salvação. Isso é, além de um absurdo, muita ignorância. Ignorância porque qualquer pessoa que se disponha a estudar religião, ou que tenha acesso à informação, sabe que elas existem nas mais variadas formas: há religiões monoteístas e politeístas, religiões mais e menos liberais etc. Por que tanta maldade? Um ato como este, a meu ver, nada tem a ver com religião, mas sim com preconceitos. Bom, mas aí já é outra discussão.

Afinal, todas as religiões podem "coexistir", sim!


Eu quero que vocês entendam esse texto não como o de uma pessoa descrente que está criticando as religiões, pelo contrário. Eu desejo, do fundo de meu coração, que as pessoas parem de julgar umas as outras baseadas em preconceitos e intolerância. Mais amor, por favor!

Beijinhos, Hel.

Sobre Literatura e mediocridade

Fonte: Projeto: "Escrevendo sem medo" #ESM


"Para ser popular é preciso ser medíocre." (Oscar Wilde em “O retrato de Dorian Gray”).

Acho que essa frase se aplica em vários cenários, mas na literatura, ainda mais. Mas o que o personagem sincero, Lord Henry, quis dizer é que, basicamente, se você quer agradar a grande massa, você precisa ser raso e supérfluo. Bem polêmico. E o que isso tem a ver com a Literatura? Tudo!

Atualmente, muito se tem discutido sobre preconceito literário, eu, até então, nunca havia me pronunciado sobre isso, mas não significa que não tenha pensado profundamente sobre o assunto. Na verdade, eu me considerava, há um tempo, muito preconceituosa em relação à Literatura contemporânea e aos autores de YA e distopias adolescentes, hoje em dia, graças a um contato com esse tipo de livro, não tenho mais essa mentalidade. Contudo, e de novo uso uma citação de Oscar Wilde, “Livros são bem escritos ou mal escritos. Isso é tudo.”, e não há como negar que muito do que tem sido lido atualmente trata-se de literatura comercial, feita com a única finalidade de vender. É o mal da nossa geração: os números! Percebo que não existe mais aquela preocupação em comentar sobre o livro, mas sim, apenas ostentar a imagem de leitor, passar a impressão de intelectualidade e ser admirado, e isso torna-se um problema a partir do momento em que a obra literária fica em segundo plano e o sujeito leitor se coloca em evidência.

Muito mais que uma obra de arte, percebo que os livros vêm se tornando, cada vez mais, somente uma capa bonita e um pretexto para adaptações cinematográficas, e isso é alarmante! Não há mais a fruição da leitura como antes havia, embora o movimento da leitura esteja ganhando forma e adeptos, o que percebo é uma comercialização da literatura, aquilo que foi feito com intencionalidade artística, torna-se algo com uma finalidade capitalista, embora alguns teóricos e o próprio Wilde afirmem que toda arte, incluindo a literatura, é inútil. Mas como assim, Helena? A Literatura é inútil?
Sim! Eu respondo, é inútil. É que está tão enraizado em nosso comportamento atribuir uma finalidade/objetivo a tudo que fazemos, que só o fato de ler uma obra não basta! É preciso mostrar que se está lendo, é preciso encontrar uma razão para tal atitude e esquece-se, nesse movimento, de apreciar a arte pela arte.

Mas voltando a falar sobre mediocridade, e sobre preconceito literário, o que há de errado, então, em ostentar a imagem de leitor? Não há nada de errado, eu digo, se a finalidade for incentivar a leitura e o contato com a arte, que deve ser a principal finalidade de qualquer indivíduo que se dispõe a falar sobre livros atualmente. Mas há um problema, sim, caso esse indivíduo se esqueça do conteúdo do livro ( a estória, o enredo, narrativa etc. e a relação disso tudo com a formação do homem enquanto sujeito ) e foca somente no livro enquanto um objeto, uma decoração para a estante, um item de coleção.

Uma coisa que venho percebendo e que me deixa muito triste, é que os leitores mais jovens tem certa aversão à Literatura clássica, livros consagrados pelo tempo e pela crítica, e percebo, também, que isso muito tem a ver com comodismo. Frases do tipo: "Ah, mas a escrita é muito difícil!" ou "Esse livro foi escrito há muito tempo, eu nem era nascido!" são muito utilizadas como argumento para se esquivar desse tipo de Literatura, uma pena! É cômodo ler um livro como "A culpa é das estrelas", claro, a linguagem é simples, o enredo é básico, não há mistérios ou metáforas, é tudo muito claro na narrativa e os personagens são idealizados para agradar os leitores. Não exige do leitor um desprendimento da sua "realidade" nem que ele pense fora da sua "caixinha". Mas eu não julgo aqueles que leem esse tipo de livro com a finalidade de entretenimento, pois eu mesma faço isso quando estou cansada de leituras mais "densas". O que eu quero dizer é que não há como negar que alguns livros que, atualmente, são considerados grande sucesso de vendas, se comparados à grandes obras da Literatura, são considerados medíocres. Mas não se assustem com essa palavra, medíocre, na minha intencionalidade de uso aqui, nesse texto, é mais ou menos isso, de acordo com a definição do dicionário:

medíocre 
me.dí.o.cre 
adj (lat mediocre) 1 Médio ou mediano. 2 Meão. 3 Que está entre bom e mau. 4 Que está entre pequeno e grande. 5 Ordinário, sofrível, vulgar.

Ou seja, não é ruim, mas há melhores! Entendem? Um exemplo prático disso seria eu recomendar que, ao invés de ler uma distopia como "Divergente", que eu vejo muita gente falando que é mal escrita e que a autora não soube usar o recurso do narrador, vocês se dispusessem a ler "1984" ou "Admirável mundo novo", por exemplo, que são distopias clássicas e das quais essas distopias adolescentes muito têm bebido da fonte! Não posso negar, todavia, que muita coisa boa vem sendo escrita atualmente, e que esse crescimento da população leitora é algo majoritariamente positivo, não importa o tipo de Literatura que é consumida.

Eu sei que vou causar polêmica ao publicar esse texto e eu sei que muita gente vai discordar da minha opinião, eu só quero que vocês estejam com a mente aberta assim como eu abri minha mente para ler livros contemporâneos e "famosinhos"e que sejam educados nos comentários.


Obs.: Esse texto foi escrito para o projeto "Escrevendo sem medo" idealizado pelo blog Historiar, e para o qual eu fui gentilmente convidada a participar pela Thamiris Dondóssola, autora do blog. Todo mês, um tema novo é lançado com a intenção de que os participantes do projeto exerçam a escrita "sem medo". O tema do texto acima foi "Citação" e consistia em discorrer sobre uma citação dãããã de algum livro e que o autor do texto se identificasse. A partir de agora, todo mês postarei um texto aqui no Leituras&Gatices para vocês!

Beijinhos, Hel.