É ruim floppar em metas de leitura?

Olá, leitores e leitoras! Tudo bem?

Talvez vocês não se lembrem, mas, no ano passado, fiz uma meta de leitura. O meu objetivo era ler 50 livros, relembrem no post Lendo 50 livros em 2016. Então, basicamente, vim hoje contar para vocês como eu me saí nessa empreitada.

Alguns dos livros lidos em parceria com editoras.


Primeiramente, gostaria de dizer que não consegui bater a meta. É, não deu! Mas todos sobrevivemos, não é mesmo? E não foi nem de longe frustrante para mim. Isso pode parecer conversa fiada de mau perdedor, mas, confiem em mim, não é! 

Eu li 45 livros, e resolvi fazer um balanço das leituras com base em alguns critérios. Mas, primeiro, vamos aos títulos, por ordem em que foram lidos:

#5 O restaurante no fim do universo - Douglas Adams
#6 Zizz e a mulher em pó - J. C. Zeferino
#7 As aventuras de Sherlock Holmes - Arthur Conan Doyle
#15 Sejamos todos feministas - Chimamanda Ngozi Adichie
#17 Cansei de ser gato:do capim ao sachê - Amanda Nori e Stéfany Guimarães
#18 O fantasma de Canterville - Oscar Wilde
#23 Admirável mundo novo - Aldous Huxley
#24 Felizmente, o leite - Neil Gaiman
#40 O sol é para todos - Harper Lee
#41 Fassade - K. S. Broetto
#43 Emma - Jane Austen
#44 Senhor das moscas - William Golding
#45 É fácil matar - Agatha Christie

Considero essa lista incrível, pois, de todas essas leituras, não há quase nenhum livro que eu tenha me arrependido de ler (salvo duas exceções, mas não vamos dar nome aos bois nesse caso). Foi um ano conturbado, cheio de novidades, sem falar no TCC que consumiu muito do meu tempo, mas que valeu muito a pena todo o sacrifício, no final.

Leituras variadas (não de parceria) de 2016.


Antes de terminar, gostaria de fazer uns comentários sobre as minhas leituras. O primeiro é que li mais autoras mulheres do que homens! Foram 24 mulheres lidas em 2016, isso é maravilhoso!
Além disso, li somente 9 autores brasileiros. É um número baixo, eu sei.
Mas um número bom e que me deixou surpresa foram os 7 livros infantojuvenis que li! Normalmente esse tipo de livros é um pouco deixado de lado pelos leitores, mas eu gosto muito e pretendo continuar lendo até ser velhinha, haha.
Uma última curiosidade é que eu fiz apenas 1 releitura! Se é que posso dizer que Coraline foi uma releitura, já que, dessa vez, eu li em inglês. (Vocês acham que isso conta como releitura?)
Sobre as parcerias: foram 3 leituras feitas em parceria com autor(a) e 17 leituras feitas em parceria com editora. Um número bem expressivo e que mostra o quanto as parcerias influenciam aqui no blog!

***

Por fim, gostaria de dizer que em 2017 eu não vou fazer meta de leitura, mas não tem a ver com o fato de eu ter floppado a minha meta de 2016. Como eu disse, isso não me afetou. Mas sim porque eu vi o quanto eu ficava ansiosa com o fato de não estar conseguindo cumprir a meta e também por conta do mais óbvio: são apenas números! Eu tenho certeza de que nesse ano vou ler bastantes livros também, talvez até mais que 50, ou menos, mas quem se importa? O que importa é fazer leituras legais e conhecer autores novos, não é mesmo?
É claro que eu precisei passar por essa experiência para saber como seria e foi um aprendizado bem importante. E vocês, como lidam com isso?

Beijinhos, Hel.

O duque e eu - Julia Quinn

É uma verdade universalmente conhecida que toda fã de Jane Austen lamenta a autora ter escrito tão poucas obras em sua vida. É o meu caso. Sinto que "economizo" na leitura dos livros da Jane Austen, pois estou a dois romances de terminar as obras dela. Jane Austen foi a escritora que me apresentou ao mundo dos romances de época, dos vestidos esvoaçantes, diálogos cheios de ironias e indiretas e dos bailes. Meu primeiro crush literário foi Mr. Darcy. E Jane Austen escreve TÃO BEM! Pois bem, deixemos de enrolação, por que estou falando tudo isso? Porque a autora de O duque e eu, Julia Quinn, foi apontada como "a nova Jane Austen". Como eu poderia passar incólume por uma coisa dessas? É claro que fiquei curiosíssima.

***

Apesar de essa série se chamar Os Bridgertons, pode-se dizer que o personagem principal de O duque e eu é Simon Basset, o duque de Hastings. Ele foi uma criança renegada pelo pai por aprender a falar muito tardiamente e por sofrer de gagueira, e nunca superou tal fato. O pai o humilhou e chegou a dizer que o filho havia morrido (!), o que fez com que Simon tivesse a determinação suficiente para passar por cima de suas dificuldades de fala. Simon odiava o pai com todas forças.

"Se não podia ser o filho que o pai queria, então seria exatamente o oposto." (QUINN, p. 15)

Depois de 6 anos viajando o mundo com o dinheiro do pai que ele tanto odiava (irônico, não?) ele volta a Londres e, assim como quando Mr. Bingley chega à Meryton, em Orgulho&Preconceito, todas as mães ficam alvoroçadas com a possibilidade de casarem suas filhas solteiras com um homem de posses como o duque de Hastings. O que Simon mais temia era isso, pois ele tinha o firme propósito de nunca se casar, entre outras coisas, somente para desagradar o pai, mesmo ele já tendo falecido. É então que ele conhece Daphne Bridgerton, irmã de seu melhor amigo, Antony Bridgerton. Depois de um primeiro encontro inusitado, eles decidem se afastar. Ela porque não queria ser vista ao lado de um homem libertino como Simon, e ele para respeitar a irmã do melhor amigo.



Daphne Bridgerton é uma moça um pouco à frente de seu tempo, que quer se casar por amor (e todo aquele papinho que já ouvimos em Orgulho&Preconceito, diria que ela é uma cópia bem barata da Lizzie Bennet). O problema é que a mãe dela, a Viscondessa Violet, está desesperada para casá-la, pois, assim como em Orgulho&Preconceito (nossa isso tá ficando cansativo) Daphne tem irmãs mais novas solteiras e precisa se casar o quanto antes. O problema é que os homens só a enxergam como amiga, e os que têm interesse por ela são muito velhos, ou muito novos, ou sem-noção.

Depois de alguns encontros, Simon e Daphne têm o plano mais mirabolante: Simon finge fazer a corte a Daphne, assim, ela passa a chamar a atenção dos homens e ele evita as mães e pretendentes nos bailes. AÍ EU PERGUNTO PRA VOCÊS: TEM COMO ISSO DAR CERTO? Até parece que eles não iam se apaixonar nessa historinha de finge que me paquera, eu finjo que gosto, blábláblá. Tem que ser muito burro pra não adivinhar qual vai ser o final da história, porque seguir essa fórmula de filme da sessão da tarde já tá muito manjado!

"Os dois haviam se tornado excelentes companhias um para o outro, e em seus encontros eles se alternavam entre confortáveis períodos de silêncio e diálogos animados. Em todas as festas, dançavam juntos duas vezes - o máximo permitido para não escandalizar a sociedade." (QUINN, p. 127-128)

Bom, se tem algo de original e divertido nessa história toda, eu diria que é a Lady Whistledown, a colunista de fofocas que parece ter espiões dentro das casas das famílias e que está viciando a todos com as suas revelações bombásticas e comprometedoras sobre a sociedade londrina. 

O que falar do livro sem dar muitos spoilers? Posso falar que Simon é bobo e tem o motivo mais besta do mundo para não querer se casar. Daphne tem seus poréns, mas, ainda assim, gostei dela, ela segue seus propósitos e é bem decidida. Obviamente que os protagonistas dessa história não tem 1% da profundidade dos coadjuvantes dos livro da Jane Austen (fui um pouco má, agora), mas posso dizer que foi uma leitura divertida em alguns momentos, apesar de no final tudo ter ficado muito forçado e as cenas de sexo dominarem boa parte da narrativa. Parecia que a autora resolvia tudo com sexo. Daphne ofendia Simon? Resolver na cama é a solução! Simon abandona Daphne no meio de uma briga? Fazem as pazes na cama! Sem comentários. Sobre as descrições das cenas calientes, diga-se que a linguagem é aquela clichê usada nos romances de banca, muito adjetivada e com orgasmos pra todos os lados. Só digo isso. Tirem suas conclusões a partir daí.

Por fim, se eu fosse a Jane Austen estaria me revirando no túmulo por ser comparada com Julia Quinn. Nada contra quem gostou e leu a série, mas quem está acostumada a ler romances de época como os das irmãs Brontë ou da própria Jane Austen sabe que há um refinamento na narrativa, preciosidades nas entrelinhas e personagens muito mais verossímeis à época em que os romances se passam. As reviravoltas são muito mais intrigantes e cada personagem é tão bem escrito que desenvolvemos sentimentos em relação a eles. Nem sempre sentimentos positivos (eu ouvi Heathcliff?), mas isso é porque essas autoras conseguem dar muita verdade aos personagens que escrevem.

Bom, encerro aqui meu comentário sobre essa leitura. E vocês já leram esses romances de época que são contemporâneos? Acham o que dessas histórias? Me contem nos comentários.

Beijinhos, Hel.

QUINN, Julia. O duque e eu. (Tradução de Cássia Zanon). São Paulo: Arqueiro, 2013. 288 p.