TAG Lugares Literários

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Oi, gente. Tudo bem? Hoje eu respondo a tag "Lugares Literários"  que a  Leth do Loucura por leituras me marcou e que eu gostei muito das perguntas. Vou, então, relacionar algumas das leituras que eu fiz com lugares da ficção:

1- Chester Mill (Sob a Redoma): Uma história que te prendeu

O planeta dos macacos foi uma leitura que terminei de um dia para o outro de tão entretida que fiquei no enredo. Por causa desse livro que comecei a me interessar mais por ficção científica.

2- Nárnia (As Crônicas de Nárnia): Um livro que te levou pra outro mundo

O Hobbit me levou para as tocas aconchegantes dos Hobbits e, também, para as florestas hostis da Terra Média.
3- Hogwarts (Harry Potter): Um livro que te ensinou algo

Admirável mundo novo foi uma leitura que abriu muito meus olhos para a alienação que sofremos e como o modo como nos relacionamos é, às vezes, superficial.



4- Panem (Jogos Vorazes): Um livro distópico

Eu amo distopias e a minha favorita é 1984. Das sociedades dos livros distópicos, acredito que a desse livro é a mais opressora, só lendo para saber a agonia que é estar na pele do protagonista Winston Smith.

5- Condado (Senhor dos Anéis): Um livro que te deu sensação de lar ou quentinho no coração

Suzy e as águas-vivas é uma estória tão fofinha, apesar de tratar sobre como Suzy lida com o luto e a perda de uma amiga.


6- Labirinto (Maze Runner): Um livro que te deixou perdido

Morte súbita me deixou confusa pela quantidade de personagens.

7- Terra do nunca (Peter Pan): Um livro da sua infância

Bom, como eu não fui uma criança leitora e só fui adquirir o gosto pela leitura quase adulta, vou citar um livro que eu não li exatamente enquanto criança, mas sim, pré-adolescente: Harry Potter. <3

8- Westeros (As Crônicas de Gelo e Fogo): Um livro com várias reviravoltas   

O primeiro que me veio à mente para responder essa foi Macunaíma do Mario de Andrade. Pensem num livro cheio de loucuras, agora multipliquem por mil. Ainda não chega aos pés dessa estória. Esse livro é amado por uns, odiados por outros. Eu precisei ler duas vezes para começar a entender e, com a ajuda da minha professora de Literatura, consegui apreciar melhor a obra.

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Tag dada, tag respondida.

Beijinhos, Hel.

O menino feito de blocos - Keith Stuart

"Desde o início foi uma criança difícil. Não comia, não dormia. Só chorava e chorava [...]  Parecia revoltado por estar no mundo." (STUART, p. 8)

Baseado em sua vida com um filho autista, Keith Stuart escreveu esse livro sincero sobre as dificuldades de se criar uma criança que está sob o espectro do autismo.

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De início já sabemos que o casamento de Alex com Jody está desmoronado, os dois estão tentando uma "separação experimental". Ele vai, então, morar com um amigo de infância, Dan. E é a partir da perspectiva dele que sabemos como é o seu relacionamento com o filho Sam, de dez anos, que ficou com a mãe, e que sempre fora uma incógnita para Alex que, erroneamente, quando olhava para o filho enxergava só o autismo e não a subjetividade da criança. Aliado a isso, Alex também perde o emprego e se vê numa situação ainda mais difícil, pois era ele quem sustentava a casa e a escola de Sam. Desse modo, Jody começa a trabalhar e Alex precisa ficar cuidando do filho nestas ocasiões.

O interessante dessa estória é que Alex, enquanto pai, tem noção de que foi relapso e se absteve de cuidar de Sam, já que Jody sempre fez isso. Ele dizia que ficava trabalhando até tarde para poder dar uma vida melhor aos dois, mas a verdade é que ele inconscientemente fugia do filho e do desafio de entendê-lo. Aquele velho pensamento de que a mãe tem mais "jeito" com os filhos e o homem é quem sustenta a casa. Apesar de Jody ser uma personagem secundária, pensei muito na situação dela e em quantas mulheres passam pelo mesmo, seja com filhos "normais" ou com necessidades especiais. Até quando a criação dos filhos ainda vai ser vista como uma função primeira das mulheres? É perceptível que Jody pede para que Alex saia de casa para ver se ele entende que nada está o.k., e que ele precisa mudar antes que Jody (e também Sam) saiam da sua vida para sempre.

"Sam é o planeta de preocupações e caos que nós temos orbitado pela maior parte do nosso relacionamento." (STUART, p. 16)

Então, Alex começa a entrar em contato com Sam sem Jody estar por perto e precisa lidar com as crises de pânico, as oscilações de humor e a sensibilidade elevada que ele tem aos ruídos e acontecimentos do mundo. Como Alex costumava dizer, o mundo é uma aventura para Sam, e não um passeio. O que ele não esperava era que um jogo de vídeo-game, o Minecraft, fosse uni-los e fazer com que eles compartilhassem algo só dos dois, o "mundo do papai e do Sam". É aí que Alex vê uma oportunidade de se aproximar e entender a personalidade de Sam e entender melhor como ele enxerga o mundo a sua volta.

"Nesse universo, onde as regras são precisas, onde a lógica é clara e infalível, Sam está no controle." (STUART, p. 134)

Ao tentar entender o filho, Alex percebe que precisa entender a si mesmo, primeiro, e superar acontecimentos do seu passado. 

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É engraçado tudo isso porque sempre ouvimos que não é saudável deixar as crianças jogarem vídeo-game e que isso em nada acrescenta à educação delas. Eu sempre pensei o contrário, e essa estória mostra que por meio de uma realidade virtual Alex se aproxima do filho e compreende quais são suas inseguranças e medos. Além disso, Sam sente-se mais confortável para se comunicar com o pai sobre Minecraft, um assunto que ele domina. E aproveitando uma brecha aqui, outra ali, o pai consegue estabelecer um diálogo com ele. É bem bonito e muito tocante.

Esse livro veio parar nas minhas mãos ao acaso, por cortesia da editora, e confesso que o autismo não é um tema que eu compreenda, talvez eu e Alex tenhamos muito em comum. Mas posso dizer que aprendi muitas coisas sobre o autismo e, principalmente, desenvolvi uma maior sensibilidade em relação à criação de filhos autistas (ou não, mas claro que um filho autista tem as suas particularidades e dificuldades). Algo que a Cecília do Blog Refúgio comentou e que também me tocou bastante durante a leitura foi a questão “quem cuida de quem cuida?”. Se as pessoas já julgam pais e mães em condições normais, imaginem nesse caso? 

"Eu não tinha pensado nisso antes, em como o autismo é uma versão amplificada e muito centrada de como todos nos sentimos, das ansiedades que todos temos. A diferença é que o restante de nós esconde tudo sob camadas de negação e de condicionamento social." (STUART, p. 215)

A minha experiência de leitura, apesar de arrastada, foi bem gratificante e me fez terminar esse livro com um quentinho no coração.

Beijinhos, Hel.

STUART, Keith. O menino feito de blocos. Tradução de Ana Carolina Delmas. 1 ed. Rio de Janeiro: Record, 2016. 377 p.